
O aumento do preço da arroba do boi gordo em 2014 é
resultado da recuperação da pecuária, iniciada no ano passado, após um
cenário de baixa cotação dos animais em 2011 e 2012. A crise no setor
comprometeu novos investimentos e provocou o aumento do abate de
matrizes, na tentativa de minimizar os efeitos da falta de renda dos
pecuaristas.
Como consequência, houve restrição de oferta de
animais para abate e valorização dos bezerros para a reposição de
rebanho. Este fator, juntamente com a seca prolongada, contribuiu para a
alta da arroba e dos preços da carne bovina neste ano, segundo análise
da Superintendência Técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do
Brasil (CNA).
“É preciso levar em consideração que os preços
atuais do boi gordo sucedem um longo período de baixa. Mas os baixos
preços do boi gordo em 2011 e 2012 contribuíram para reduzir a inflação
no período, pois a carne subiu menos que o IPCA, beneficiando os
consumidores”, diz a nota técnica da CNA. Especificamente nestes dois
anos, a arroba caiu 3% e 5,36%, respectivamente, enquanto os custos
subiram 8,15% e 2,85%.
No entanto, a nota ressalta que este aumento é
pontual. Na sua avaliação, para que os preços fiquem estáveis e haja
equilíbrio entre oferta e demanda, são necessários novos investimentos
em tecnologia para aumentar a produtividade, o que não tem sido possível
nos últimos anos, pois a renda do setor subiu abaixo dos custos. Em uma
década, enquanto a arroba do boi subiu 101,17%, o Custo Operacional
Efetivo (COE) teve elevação de 162% no período.
Recuperação – Em 2014, apesar da
alta, o movimento de elevação dos preços da arroba é acompanhado pelo
aumento dos custos de produção. Enquanto a arroba do boi gordo subiu
9,91% este ano, o COE, que engloba as despesas do produtor com o dia a
dia da atividade, teve variação de 13,15%.






