A aposta nos estudos e na carreira tem feito com que cada vez mais mulheres adiem o sonho e ser mãe para depois do auge da fertilidade, que ocorre entre os 25 e os 35 anos. Em 2013, em toda a rede pública de Saúde do Distrito Federal, foram realizados 4.371 partos em mulheres com mais de 35 anos, o que representa 10,65% de todos os partos realizados durante o ano. O R7 DF ouviu duas mulheres que tiveram filhos depois dos 40 anos de idade, que falaram sobre as vantagens de terem sido mães em uma idade fora do padrão.
A enfermeira Alessandra de Arantes Passetti deu à luz há dez dias, aos 41 anos. A gravidez foi planejada e fruto de uma inseminação artificial. Alessandra tem uma filha com 18 anos e diz que está em uma fase melhor para ser mãe.
— Com mais idade, me sinto emocionalmente mais preparada para ter um filho.
Outra vantagem, segundo ela, é poder contar com a ajuda da filha mais velha, que cuida do bebê “como se fosse filho dela”.
As vantagens pessoais existem para mães acima dos 40, mas os cuidados com a gravidez são maiores. O ginecologista e obstetra Paulo Miranda alerta que a gestação de uma mulher com mais de 30 anos deve ter maior assistência.
— Os problemas para gestações em mulheres com mais de 30 anos têm diminuído, mas isso se deve ao aumento da assistência para diminuir os riscos.
Um dos problemas, segundo o médico, que acontecem com mais frequência em grávidas com mais de 35 anos, é a diabetes gestacional, que pode levar à má formação do feto. Para ele, é preciso ter mais consciência e fazer um bom acompanhamento médico. No rol de mulheres que engravidaram na casa dos 40 anos, está a comerciante Sandra Rodrigues Branco. Ela passou anos tentando ter um filho e quando tinha perdido as esperanças, já com 44 anos de idade, engravidou naturalmente. A comerciante afirma que não produzia óvulos capazes de fecundar. Em uma ida ao médico acreditando estar na menopausa, ela descobriu que estava grávida.
Ela afirma que não teve problemas físicos durante a gravidez e que nem chegou a sentir enjoos. O problema, para ela era o lado psicológico.
— Eu me sentia humilhada por não conseguir ter filhos. Houve um período, antes de engravidar, em que eu chorava e rezava muito. Não podia ver uma criança pequena na rua que começava a chorar.
Sandra, mãe de Laís, com 11 anos de idade, afirma que ser mãe foi o melhor acontecimento em sua vida. Ela avalia que ter sido mãe em uma fase mais madura foi positivo e que passou a “repensar a vida e a maneira de amar”.
Com cinco filhos, a aposentada Antônia Aires, teve a sexta gravidez aos 42 anos. Em uma ida ao médico para buscar tratamento para a menopausa, ela descobriu que estava grávida da filha Luana, hoje com 27 anos. Para Antônia, hoje com 68 anos, a gravidez foi mais complicada. No terceiro mês, ela soube que seria uma gravidez de risco e sofreu complicações, como uma hemorragia. A aposentada decidiu parar de trabalhar para cuidar dos filhos após sua sexta gravidez. Com isso, ela pôde se dedicar mais à sua caçula, que era oito anos mais nova do que sua penúltima filha.
— Como pude me dedicar mais de perto à criação da caçula, ela acabou ficando mais parecida comigo em muitos pontos.
R7 DF







