
Dirigíveis são relíquias empoeiradas da história da aviação. Veículos
mais leves do que o ar evocam imagens do Hindenburg, em sua glória e
destruição, e do dirigível da Goodyear, outdoor flutuante que mal e mal
lembra seus antecessores poderosos.
Porém, engenheiros agora
projetam zepelins elegantes que poderiam atravessar camadas de nuvem e
navegar pelo ar rarefeito e gelado da estratosfera, 20 mil metros acima
do chão – duas vezes a altitude normal de um avião comercial.
Pilotados
por cientistas na terra, os dirigíveis podem estar equipados com
telescópios que vasculhariam galáxias distantes ou coletariam dados
oceânicos ao longo do litoral.
"Dirigíveis estratosféricos
poderiam nos propiciar condições semelhantes ao espaço a partir de uma
plataforma similar às espaciais, mas sem os mesmos custos", disse Sarah
Miller, astrofísica da Universidade de Califórnia, campus de Irvine.
Os
zepelins de grande altitude ainda estão na fase inicial. Nenhum deles
flutuou a 20 mil metros por mais de oito horas. Contudo, estudo recente
do Instituto Keck para Estudos Espaciais do Instituto de Tecnologia da
Califórnia, mais conhecido como Caltech, sugere que um dirigível mais
capaz não estaria tão distante. E a Nasa, a agência espacial
norte-americana, deve patrocinar um concurso para construir um zepelim
melhor, dando nova vida e financiamento à ideia.
Logicamente,
esses dirigíveis não seriam os primeiros veículos a se aventurar na
estratosfera. Foguetes e satélites costumam passar zumbindo pelos 20 mil
metros para entrar na órbita da Terra ou ir além, e balões
meteorológicos já flutuaram nas regiões superiores da atmosfera.
"Os
balões existem há 200 anos, então todo mundo acha que é uma tecnologia
velha que não irá oferecer dificuldades", disse Steve Smith, engenheiro
aeroespacial que, em 2005, projetou um dos primeiros zepelins
estratosféricos a terem sucesso. "Não tem nada mais longe da verdade do
que isso".
via The New York Times






