
Bastou apenas uma cena em “Império” para o nome de Paulo Vilhena
figurar nos trending topics do Twitter. Na pele do pintor esquizofrênico
Domingos Salvador, Vilhena anda chamando atenção a cada aparição e
colhendo elogios por sua atuação. “Não acompanhei a repercussão, só fui
saber depois. Também não imaginava todo esse sucesso, mas fiquei muito
feliz”, afirma Vilhena, em conversa com a coluna.
Para dar vida ao
pintor, o ator radicalizou no visual: raspou parte dos cabelos e adotou
um bigodinho bem esquisito. O gestual — com os olhos sempre piscando e
uma espécie de tique nervoso no pescoço — tem dado veracidade ao
personagem, muito bem construído por Vilhena. “Faz parte do oficio do
ator trabalhar essas mudanças estéticas, físicas e psicológicas. E é
muito gratificante quando a gente consegue atingir esse objetivo”, diz.
No
ar há pouco mais de um mês, o pintor já caiu nas graças dos
telespectadores de “Império”. “Tenho ouvido sempre comentários
positivos. As pessoas elogiam e falam muito sobre essa realidade que o
personagem vive, que parece de fato verdadeiro”, conta Vilhena, que se
preparou muito para o novo trabalho. "Li e estudei muito sobre a doença
em si e referências de artistas que eram doentes e que conseguiram criar
belíssimas obras. Grandes artistas surgiram da oportunidade da terapia
ocupacional, por exemplo. Eu descobri isso nesta pesquisa".
Feliz
com a repercussão positiva de Salvador, Vilhena acredita que muitos
passarão a olhá-lo de outra maneira depois de "Império", mas evita dizer
que o pintor é um divisor de águas em sua carreira. "Não gosto de falar
em patamar. É uma evolução natural do meu trabalho e de oportunidade.
Sempre tentei aprimorar meu ofício e isso aconteceu de forma gradativa.
Nunca deixei de buscar estas oportunidades na televisão, no teatro ou no
cinema. E continuarei em busca desta maturidade artística. O artista
deve ser sempre inquieto", explicou.






