
O congelamento de óvulos vem sendo colocado como alternativa para a
mulher que, por razões profissionais, afetivas e mesmo de saúde, adia a
maternidade. Apesar de um recurso válido e moderno, antes de se decidir
por ele, é preciso ter em mente que o procedimento não é isento de
riscos.
De acordo com Caio Parente Barbosa, presidente do Instituto
Ideia Fértil e professor responsável pelo setor de genética e reprodução
humana da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), a técnica é indicada
para mulheres que não tiveram filhos até os 35 anos, mas pretendem
tê-los. A partir dessa faixa etária, a quantidade de óvulos vai
diminuindo gradativamente.
Na prática, o congelamento de óvulos
(vitrificação) funciona de forma bem simples. As pacientes são
submetidas à indução da ovulação por, aproximadamente, dez dias. Nesse
período, recebem hormônios, geralmente aplicados de forma subcutânea.
"Normalmente, a mulher libera apenas um óvulo por ciclo menstrual.
A
indução é necessária para que haja liberação de mais óvulos", diz
Barbosa. Nesse período, são realizadas ultrassonografias para acompanhar
a resposta ovariana ao estímulo hormonal.
Mas esse não é um
procedimento totalmente isento de risco. Existe a possibilidade da
chamada síndrome da hiperestimulação ovariana: o alto nível de hormônios
na circulação pode provocar um inchaço dos ovários, com vazamento de
líquido para o abdômen.
Em casos mais graves, a intervenção pode levar à
morte. No entanto, segundo Paula Fettback, médica do Centro de
Reprodução Humana Mário Covas do Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo, a introdução de novas medicações
tem feito com que os riscos se tornem cada vez mais raros.
"A síndrome
ocorre em menos de 1% dos casos", diz o médico Marcello Valle,
especialista em reprodução humana pela Universidade de Paris. Após a
indução da ovulação, é realizada a coleta dos óvulos. "Trata-se de uma
técnica cirúrgica minimamente invasiva, na qual os folículos ovarianos
(onde estão os óvulos) são aspirados com uma agulha guiada por ultrassom
transvaginal. A paciente passa pelo procedimento sedada", declara
Paula.






