
A distância que a TV Record determinou entre as bancadas de Aécio
Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) no penúltimo debate na televisão
antes das urnas, na noite deste domingo, era tudo o que os dois
candidatos à Presidência da República queriam. A uma semana da eleição,
Aécio e Dilma travaram um debate morno e sem surpresas, repisando frases
ensaiadas e repetidas à exaustão nas propagandas eleitorais na TV.
Não
houve pancadaria. Mais: os comandos das duas campanhas avaliaram que o
tenso embate no SBT, na última quinta-feira, marcado por ataques
pessoais, causou estragos. O duelo deste domingo não
tirou nenhum dos candidatos do sério.
O script foi o mesmo: Aécio
lembrou a profusão de escândalos na Petrobras, e Dilma respondeu dizendo
que o PSDB planejava vender a Petrobras quando governou o país. Aécio
apontou a inflação crescente, e Dilma disse que os “pessimistas” não
reconhecem as conquistas sociais dos doze anos de governo do PT.
A
petista até ensaiou ataques, por exemplo, sugerindo que um eventual
governo tucano reduziria o papel dos bancos públicos – Banco do Brasil e
Caixa Econômica Federal. Aécio reclamou do terrorismo eleitoral: “Quero
me dirigir aos funcionários do Banco do Brasil, da Caixa Federal, eles
sim estão sofrendo com o terrorismo da propaganda.
No nosso governo não
haverá senhores Pizzolatos à frente do Banco do Brasil”, disse, em
alusão a Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil que ficou
famoso pela fuga hollywoodiana após ser condenado no julgamento do
mensalão.
Ao falar da inflação, o tucano sacou uma
carta nova: citou o Chile como exemplo de país vizinho cuja economia
cresce mais do que a brasileira. “O Chile consegue crescer bem mais do
que o Brasil, controlando sua inflação.
Onde está o erro, candidata?”,
cutucou. Dilma, por sua vez, resgatou o discurso do desemprego: “Para
ter 3% de inflação, o senhor vai triplicar o desemprego, que vai para
15%, e o senhor vai elevar a taxa de juros, como já fizeram antes, esse é
o receituário”. A temperatura quase subiu quando a
Petrobras foi o tema.
Aécio questionou a petista sobre a revelação de
que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi um dos beneficiários do
esquema montado para desviar recursos da estatal para políticos e
partidos. “A senhora reconhece agora que houve desvios na Petrobras. O
tesoureiro do seu partido, João Vacari Neto, continuará também como
membro do conselho de administração de Itaipu. A senhora confia nele,
candidata?”, disse.
A petista rebateu dizendo que o delator do esquema
de desvios, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, apontou o
ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, como beneficiário. “O senhor
confia em todos aqueles que segundo as mesmas fontes que acusam o
Vaccari dizem que o seu partido, o presidente dele, que lamentavelmente
está morto, recebeu recursos para acabar com a CPI?”, questionou.
Último
a falar, o tucano devolveu: “Se na Petrobras, onde ele não tinha acesso
formal, dois terços da propina eram transferidos para ele, fico
imaginando em Itaipu, onde ele tem um crachá e assina documentos, o que
pode estar acontecendo lá”. Mas parou aí.
Na campanha mais acirrada do
país desde a redemocratização, nem Dilma nem Aécio quiseram arriscar. O
próximo – e derradeiro confronto – será na sexta-feira, antevéspera das
eleições, na TV Globo. (Veja)






