
Pagando R$ 374,90 mensais por um plano empresa do Bradesco Saúde, o
publicitário Cláudio Cintra está sem atendimento médico desde junho, mas
os boletos de cobrança não pararam de chegar. "Eu tive que mudar o
cardiologista porque o meu suspendeu e até hoje não está aceitando.
Urologista também não consigo marcar.
Tem uma série de exames,
principalmente na área de cardiologia, que são uma dificuldade tremenda
para marcar", reclama. Além da falta de atendimento, o publicitário
conta que na última terça (28) mui- tos associados foram surpreendidos
com o aumento da mensalidade.
"Teve um reajuste de 17,29%, então, de R$
374,90 eu vou passar a pagar R$ 439,72, com os mesmos problemas que vêm
ocorrendo desde o mês de junho".
Entrando no seu quarto mês de boicote
ao Bradesco Saúde, o Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed-BA) afirma
que quatro tentativas 12 de negociação para pôr fim à paralisação foram
feitas, mas a empresa não aceitou negociar o reajuste dos valores pagos
aos médicos.
De acordo com o presidente do Sindimed, Francisco
Magalhães, a categoria resolveu apelar à Justiça. "Temos uma audiência
marcada para o dia 5 de novembro no Tribunal Regional do Trabalho, na
qual nós esperamos que tenha uma decisão final a respeito desse
problema", explica.
Dentre as reivindicações para que os médicos voltem a
atender os cerca de 400 mil usuários do Bradesco Saúde, estão os
reajustes nos valores de consultas e exames, que, segundo a categoria,
estão defasados em cerca de 600% e não passam por um reajuste há mais de
10 anos.
Para tentar minimizar os danos causados pela falta de
atendimento, o Procon criou um plano de contingenciamento. "Pessoas que
marcaram consultas antecipadamente devem entrar em contato com o
Bradesco e este deve informar, imediatamente, um local onde o paciente
possa realizar este exame. [...] Caso não haja este lugar, o consumidor
terá o direito de fazer o exame por via particular pagando e tendo
reembolso do plano de saúde", explicou o diretor de fiscalização do
Procon, Gleidson Batista.
Porém, segundo o assessor técnico do Procon,
Felipe Vieira, o Bradesco Saúde não tem cumprido o que foi determinado.
"As denúncias que o Procon continua recebendo demonstram que nem todas
as medidas desse plano foram adotadas pela empresa", denuncia. Para o
Bradesco Saúde, o boicote dos médicos não tem tanta força quanto parece.
Em nota enviada ao Grupo Metrópole ainda em agosto - quando a
paralisação iniciava o seu terceiro mês - o plano minimizou os problemas
no atendimento. "A Bradesco Saúde esclarece, ainda, que a sua Central
de Atendimento não tem registrado problemas estruturais de assistência
para os seus milhares de segurados no estado da Bahia".
A informação,
porém, sempre foi de encontro às recebidas pelo consumidor na hora de
procurar uma clínica. "Endócrino e otorrino não estão atendendo",
informou esta semana a atendente da Clivale Iguatemi ao Grupo Metrópole.
O mesmo aconteceu com quem procurou atendimento, por exemplo, na
Multiclin, na Pituba. De acordo com o Sindimed, o Bradesco Saúde é
leviano ao tentar diminuir a força do movimento. "Temos um contingente
de paralisação expressivo: pneumologia, cardiologia, hemodinamicista e
alguns outros segmentos estão ainda sem atender o Bradesco. Mas é claro
que nós temos segmentos que não aderiram", explica o presidente do
sindicato.
Questionado sobre os segmentos que não mantiveram a
paralisação, caso dos oftalmologistas, Magalhães ressalta: "São os que
já obtiveram êxito. O pessoal da radiologia também suspendeu a
paralisação".
Por sua assessoria de comunicação, o Bradesco Saúde disse
reajustar anualmente os valores de consultas e honorário dos médicos.
Enquanto a queda de braço não chega ao fim, uma Ação Civil Pública
formulada por Ministério Público, Defensoria Pública e Procon continua
tramitando contra a Bradesco Saúde.
A liminar busca determinar pena de
pagamento de multa diária de R$ 200 mil, caso o plano não cumpra uma
série de medidas que garantam atendimento aos segurados. Algumas
denúncias foram encaminhadas e os órgãos de defesa do consumidor estão
cobrando novas explicações. Segundo o MP, os segurados que se sintam
prejudicados devem fazer suas denúncias através do email ceacon@
mpba.mp.br ou entrar em contato com o Procon.






