
O vigilante Tiago Henrique Gomes
da Rocha, 26 anos, mudou sua versão para o número de mortes que tinha
assumido, reduzindo dez vítimas. O novo depoimento, no qual assume 29
mortes e não mais 39, foi dado antes de ser transferido para uma ala de
segurança máxima do Núcleo de Custódia do Complexo Prisional. A chegada
ao local, no início da tarde de quarta-feira, 22, foi marcada por troca
de insultos e ameaças de morte entre Rocha e outros presos.
As
informações foram prestadas nesta quinta-feira, 23, pelo titular da
Delegacia de Investigações de Homicídios, Murilo Polati. Ele convocou
uma entrevista coletiva para atualizar os dados da investigação, uma das
mais complexas já realizadas pela Polícia Civil de Goiás.
Segundo
Polati, ao chegar no Núcleo de Custódia, o vigilante começou a gritar
que tinha vontade de matar alguém por lá também e foi imediatamente
rechaçado pelos outros presos com ameaças iguais. O episódio ocorreu
logo depois que Rocha agrediu um fotógrafo que fazia a cobertura da
transferência dele para a segurança máxima.
O
comportamento agressivo do rapaz foi interpretado por Polati como
tentativa de se afirmar, "mostrar poder lá dentro", mas a retaliação dos
presos fez com que Rocha ficasse quieto, segundo relato de agentes
prisionais ao delegado.
O
vigilante está sozinho em uma cela e não faz nenhuma atividade junto com
os demais detentos. A cela tem cerca de dez metros quadrados, com
chuveiro, vaso sanitário e pia. Ele tem direito a banho de sol diário e
poderá receber visitas nos finais de semana.
Sobre
a mudança no depoimento, o delegado explicou que isso aconteceu por
orientação da nova defesa do vigilante. O novo interrogatório foi
acompanhado pelas advogadas que a família de Rocha contratou esta
semana. A defesa assumiu a causa afirmando que Rocha foi coagido a
confessar 39 homicídios, quando seria o autor de um número menor de
mortes.
Desistência. A
Polícia Civil desistiu de encaminhar o vigilante para que o psicólogo
forense da Polícia Científica de Goiás, Leonardo Faria, realize sozinho o
exame de sanidade mental, traçando o perfil psicológico do provável
serial killer.
O psicólogo, que está se especializando em Ciências
Criminológicas, começaria os testes de personalidade e outros exames em
Rocha na quarta, 22, mas depois explicou que a análise será feita por
equipe multidisciplinar convocada pela Justiça para se ter um
diagnóstico mais completo e em uma fase judicial, decisiva nos processos
contra o vigilante.
A
desistência também tira a Secretaria de Segurança Pública de Goiás do
foco de suspeita.
A instituição era alvo de críticas pela demora em
assumir que os crimes poderiam envolver um assassino com perfil de
serial killer, deixando para o Judiciário apontar a condição mental do
suspeito de matar mais de 40 pessoas.
A
Polícia Civil agora apressa os inquéritos porque o mandado de prisão
que tirou Rocha das ruas é temporário, com duração de 15 dias, menor que
o mandado preventivo, que deverá manter o rapaz preso até o julgamento
dos processos.
Já existem provas periciais que ligam o vigilante a oito
mortes. Esta semana uma testemunha reconheceu Rocha como o autor do
assassinato de mais uma pessoa, sem ligação com os casos que já estavam
sendo apurados, o que elevaria de 39 para 40 o número de homicídios em
que ele é suspeito. (MSN\Foto:Terra)






