
Na tentativa de se posicionar
como líder da oposição, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta
terça-feira, 4, ao chegar no Congresso Nacional, que vai "ser a oposição
sem adjetivos". "Eu chego hoje ao Congresso Nacional para exercer o
papel que me foi delegado por grande maioria da população brasileira,
por 51 milhões de brasileiros. Se quiserem dialogar, apresentem
propostas que interessem aos brasileiros. No mais, vamos cobrar
explicações e eficiência".
Na
rápida entrevista que deu no corredor de acesso ao plenário da
Casa,Aécio Neves criticou a forma como o governo Dilma atuou durante
acampanha eleitoral. Segundo ele, os ataques do PT inviabilizam
umdiálogo produtivo entre a base aliada e a oposição.
"Esse
governo, pela forma como agiu na campanha eleitoral, de uma forma
absolutamente desrespeitosa e absolutamente temerária em relação aos
beneficiários de programas sociais, que estiveram permanentemente
ameaçados de perder os benefícios se nós vencêssemos as eleições, não os
legitimam para uma proposta de diálogo sem que o conteúdo das propostas
seja conhecido", disse o senador.
Por
diversas vezes, o tucano aproveitou para cutucar a petista: "A
presidente Dilma deve tomar muito cuidado, senão seu governo chega no
dia primeiro de janeiro com cheiro de fim de festa".
Democracia.
Presidente nacional do PSDB, o senador mencionou as manifestações
pós-eleições de eleitores frustrados com o resultado das eleições e
sobre pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff e intervenção
militar. "Eu respeito a democracia permanentemente e qualquer utilização
dessas manifestações no sentido de qualquer tipo de retrocesso terá a
nossa mais veemente oposição.
Eu fui o candidato das liberdades, da
democracia, do respeito. Aqueles que agem de forma autoritária e
truculenta estão no outro campo político, não estão no nosso campo
político."
Derrotado na
eleição presidencial de outubro, o tucano voltou ao Senado na tarde
desta terça-feira, 4, acompanhado por cerca de 600 militantes. Logo na
entrada, Aécio afirmou que a derrota para a presidente Dilma Rousseff
fortalece na oposição e se declarou "revigorado" com o retorno após uma
semana de folga: "O governo da presidente Dilma venceu as eleições
perdendo e eu a Marina Silva (PSB) perdemos vencendo".
Economia.
Aécio sinalizou que uma das bandeiras que pretende carregar na volta ao
Senado passa pela "transparência na economia", o combate à corrupção e a
cobrança de melhoria dos indicadores sociais. "Seremos intérpretes da
pauta da sociedade brasileira. O Brasil discutiu uma agenda, que passa
pela transparência na economia, a melhoria dos nossos indicadores
sociais, por uma investigação profunda e dura de todas as denúncias que
aí estão a pulular todos os dias. Essa é a agenda da sociedade
brasileira, nós vamos estar prontos para defendê-la", destacou.
Ao
final da entrevista, o tucano disse que não faria um pronunciamento na
tribuna do Senado nesta terça. Ele subiu para seu gabinete, que fica no
Anexo I da Casa.
(Estadão)






