
Assustada com a quantidade de fios que aparecem na escova, no chão do
banheiro, no travesseiro e no banco do carro? Antes de se desesperar,
conheça os mitos que cercam o assunto, as causas do problema, como
consertar o estrago e o que você pode (e deve!) fazer para defender seus
cabelo.
Como saber quando a queda está exagerada? O
normal é caírem até 100 fios de cabelo por dia, avisa a dermatologista
carioca Karla Assed, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da
American Academy of Dermatology.
Não é preciso contar, mas observe se
eles estão aparecendo em todo lugar da casa, no travesseiro, no carro e,
principalmente, se começam a surgir leves falhas no couro cabeludo (a
chamada rarefação capilar progressiva). Nesse caso, procure um
dermatologista para avaliar o quadro e orientar o melhor tratamento.
Quais são as causas? Várias.
Predisposição genética, oleosidade excessiva do couro cabeludo, doenças
que afetam a área, como dermatite seborreica (que pode se manifestar na
forma de caspa) e psoríase, ou o corpo todo, como anemia, distúrbios da
tireoide e câncer. Alterações hormonais também podem prejudicar o
cabelo, assim como perda de peso radical e stress. "A tensão aumenta a
oleosidade do couro cabeludo", diz a dermatologista. O clima também
conta: No inverno, por causa da água quente do banho e da desidratação
natural, a perda de fios pode piorar.
A alimentação interfere? Sim.
A anemia por falta de ferro é uma das causas mais importantes de queda
de cabelo. Além do sangramento menstrual exagerado, outra explicação
comum para ela é a má ingestão de alimentos ricos no mineral: fígado,
carne vermelha, frango, peixe, ostra e frutos do mar. Leguminosas
(feijão, lentilha) e vegetais de folhas verde-escuras também fornecem
ferro, mas a absorção é difícil. Quem vive de dieta é mais vulnerável,
pois, às vezes, falta critério na hora de excluir os alimentos do
cardápio.
Pentear o cabelo molhado acelera a queda? Sim,
ele fica frágil quando úmido e, ao desembaraçá-lo, a tendência é puxar
os fios e quebrá-los. O trauma pode afetar a raiz, ocasionando a queda,
informa a dermatologista. Também corre esse risco quem vive com o cabelo
preso, sobretudo se essa tração for muito forte. Para evitar problemas,
não penteie o cabelo no chuveiro. Seque-o com uma toalha e, só depois
então desembarace com um pente de dentes largos, começando o movimento
pelas pontas. Prenda o cabelo apenas quando estiver seco e, se possível,
não todo dia, nem por muito tempo.
Dormir com o cabelo molhado faz mal? É
melhor rever essa prática. Mais fragilizados, os fios úmidos quebram
facilmente com o atrito do travesseiro. Já o couro cabeludo fica
abafado, demorando mais para secar totalmente. Isso favorece a
proliferação de fungos e o aparecimento de caspa e outras doenças que
levam à queda.
Lavar o cabelo todos os dias ajuda ou atrapalha? Não
causa queda. A menos que você seja adepta de banhos fervendo. Água
muito quente estimula a oleosidade do couro cabeludo. Portanto, mesmo no
inverno, prefira água morna.
Xampus antiqueda à venda nas farmácias resolvem? Um
teste feito pelo laboratório Kosmoscience - consultoria e assessoria
técnica em cosméticos - mostrou que as oito marcas avaliadas evitam no
máximo a queda de 86 fios por mês e, geralmente, provocadas por tração
(agressão externa). Assim, se você estiver com uma queda de cabelo
grave, é melhor procurar um dermatologista para identificar e tratar a
adequadamente a causa.
Como é o tratamento? Em
geral, os dermatologistas indicam xampus específicos e loções de
aplicação no couro cabeludo. "Se antes ressecavam os fios, agora esses
xampus vêm associados a substâncias hidratantes", esclarece a
dermatologista. Também podem ser recomendados suplementos por via oral à
base de ferro, zinco, magnésio, ômega 3, groselha negra e licopeno, que
estimulam o crescimento dos fios.
E se as falhas já são evidentes? Há
opções de tratamento no consultório. Na terapia capilar associada ao
laser (TCL), o poder de ação de xampus medicinais e fórmulas específicas
é potencializado pela aplicação desses raios luminosos.
Se os fios
estão muito fragilizados, quebradiços e ressecados, recorre-se à
ozonioterapia, técnica à base de água mineral em que medicamentos são
transformados em nanopartículas para facilitar a absorção. A aplicação
posterior de laser intensifica seu efeito. Segundo a dermatologista,
essa tecnologia de ponta recupera rapidamente a saúde do cabelo.
Qual é o principal cuidado para prevenir novas quedas? Karla
Assed é taxativa: "Procurar tratamento assim que perceber a perda
excessiva de fios. E não usar qualquer produto por conta própria".
Aparar as pontas com frequência fortalece os fios? Apesar
de bastante difundida, essa crença não tem nenhum fundamento. O corte
elimina pontas duplas e áreas danificadas ou ressacadas, garantindo um
toque mais macio e um aspecto de cabelo saudável. Mas não influencia no
ritmo de crescimento do fio, que gira em torno de um centímetro por
mês.
Cortar na lua crescente ajuda o cabelo a crescer? "Também
não existem estudos científicos comprovando essa teoria", comenta a
dermatologista. "Mas muita gente diz que dá certo". Então, se você
quiser experimentar, vá em frente: mal não faz. (Foto: Gustavo Arrais)






