
Nem tudo o que é feito em uma sala de parto é tão
necessário ou imprescindível quanto parece. Segundo a OMS (Organização
Mundial da Saúde), o parto é um evento fisiológico e sempre deve haver
uma razão que justifique uma intervenção durante o nascimento de um
bebê. Porém, a maioria dos nascimentos no Brasil é recheada de
protocolos médicos sem evidências científicas que os comprovem. Há
práticas questionáveis, como dar banho na criança logo que ela nasce,
que podem ser dispensadas ou adiadas a pedido dos pais, com o
consentimento do obstetra e do pediatra.
"Antigos
paradigmas estão sendo substituídos por medidas apoiadas em critérios
científicos rigorosos e conhecidas atualmente com o título de 'medicina
baseada em evidências'", diz Claudio Basbaum, especialista em
ginecologia e obstetrícia, diretor técnico da clínica Pro-Matrix e
membro do corpo clínico do Hospital e Maternidade São Luiz-D'Or, ambas
em São Paulo.
Confira a seguir quais são os
procedimentos dispensáveis. Para não realizar alguns deles, é preciso
que os pais assinem um termo de responsabilidade junto ao hospital ao
optarem por sua não realização.
1 - Aplicação de colírio de nitrato de prata: Se
os exames para gonorreia e clamídia da mãe derem negativo, é possível
dispensá-lo. Ele é usado em parto normal (jamais em cesáreas, já que o
bebê não passa pelo canal vaginal), se a mulher tiver uma dessas
doenças, para evitar conjuntivites graves no bebê causadas pela bactéria
Neisseria Gonorrheae e pela bactéria Chlamydia Trachomatis.
É importante que o produto não seja usado desnecessariamente porque pode provocar conjuntivite química na criança.
2 – Aspiração: Esse
procedimento não deve ser realizado em todos os bebês. É obrigatório
somente quando for necessário fazer a chamada ventilação por pressão
positiva, ou seja, quando é o caso de reanimar a criança porque ela não
está conseguindo respirar por si mesma.
3 - Injeção de vitamina K: A
dose tem por finalidade prevenir hemorragia neonatal e é aplicada,
geralmente, por via intramuscular no berçário. Porém, é possível fazer a
aplicação oral em casa, para poupar o recém-nascido da dor provocada
pela injeção.
4 - Teste do pezinho: Melhor
coletar o sangue do bebê depois das 48 horas do parto e até 30 dias
depois do nascimento para evitar que os resultados acusem falsos
positivos, comuns quando o exame é realizado logo que a criança nasce. O
teste é realizado antes desse período nos hospitais para que ninguém
deixe de fazê-lo.
5 - Banho logo após o nascimento: A
água usada para lavar a pele da criança retira o vérnix caseoso, uma
substância gordurosa esbranquiçada que recobre o corpo do bebê e que
costuma desaparecer após 24 horas.
Normalmente, as
crianças são banhadas antes de serem entregues aos pais apenas para
terem um aspecto mais agradável. O primeiro banho deve ser adiado até
que a respiração esteja estabilizada e a temperatura corporal em torno
de 36,7º C, o que ocorre entre três ou quatro horas após o parto.
A
manutenção da barreira protetora da pele logo após o nascimento é
válida para proporcionar uma boa adaptação da criança fora do útero,
como também para a termorregulação.
Além do mais, essa substância tem
ação antibacteriana. Porém, após as primeiras 24 horas de vida, a
retirada do vernix é recomendada para evitar infecções e alergias
causadas pela alta umidade. Somente em alguns casos a remoção tem de ser
realizada logo após o nascimento, como no caso de filhos de mães com
HIV.






