
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vota nesta
segunda-feira (3) a criação da Comissão da Verdade da Escravidão Negra,
para pesquisar episódios relativos à escravização de africanos e seus
descendentes e fazer um "resgate histórico e social" do país, revelando
fatos que passaram ao largo da história oficial.
Entre eles, o
protagonismo em revoltas e insurreições e a contribuição da população
negra para o desenvolvimento do Brasil. A proposta da OAB é instalar uma
comissão nacional, no âmbito da entidade, e também encaminhar ao
governo federal a sugestão de criar a Comissão Nacional da Verdade sobre
a Escravidão Negra, nos moldes da Comissão Nacional da Verdade (CNV).
Por dois anos a CNV pesquisou violações de direitos humanos pelo regime
militar, entre 1964 e 1985.
O trabalho termina em dezembro de 2014, com
recomendações ao governo para passar a limpo o período. “A OAB deve ser
instrumento a favor da igualdade. O século passado abraçou a ideia da
liberdade, agora precisamos promovê-la. Não podemos ter medo de olhar
para o nosso passado.
Precisamos revisitá-lo e entendê-lo, para que
atrocidades contra a população negra não se repitam”, disse, em nota, o
presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho. Se for
aprovada pela OAB, a comissão começará a trabalhar em 2015, ano que
marca o início da Década Internacional de Afrodescendentes, aprovada
pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), até 2024.
Segundo a ONU,
apesar de esforços, milhões de pessoas continuam sendo vítimas do
racismo e da discriminação, “inclusive de suas manifestações
contemporâneas, algumas das quais tomam formas violentas”, destaca a
organização, em resolução. Informações da Agência Brasil. (BN)






