
Na semana passada, o PSDB ingressou com um pedido de
“auditoria especial” no TSE afim de se verificar a “lisura do processo
eleitoral”. O texto cita informações divulgadas em redes sociais que
comprometeriam a credibilidade das urnas eletrônicas em todo o Brasil. A
presidente Dilma Rousseff (PT) venceu as eleições por uma margem de 3
milhões de votos à frente do senador Aécio Neves (PSDB). Os tucanos
negaram que a auditoria seria uma recontagem de votos.
Os
ministros do TSE, então, decidiram que o PSDB terá acesso a cópias
digitais de boletins de urnas, à cópias impressas de votações de sessões
eleitorais, dos arquivos eletrônicos, das cópias eletrônicas dos
chamados “logs” (registros de votações), ordens de serviços das urnas
eletrônicas, programas de totalização de votos e acesso aos softwares
das urnas eletrônicas. Apesar do amplo acesso aos sistemas de votação do
TSE, a corte definiu que os custos dessa auditoria caberão ao PSDB.
A
decisão, conforme os ministros do TSE, teve o objetivo de se dirimir
qualquer dúvida quanto às eleições deste ano. O presidente do TSE, Dias
Toffoli, afirmou que a auditoria servirá para acabar com os boatos
propagados pelas redes sociais. Apesar disso, ele classificou a petição
do PSDB como “extemporânea”. “Muito embora o partido não tenha se
apresentado nos momentos oportunos, o TSE não se furtará à sua função”,
disse Toffoli.
O presidente do TSE criticou o fato do PSDB e
demais partidos não apresentarem auditores independentes durante o
processo eleitoral, nem terem se preocupado com eventuais fraudes nas
audiências públicas convocadas pela Corte Eleitoral antes da votação
para se verificar eventuais falhas no sistema de votação eletrônica.
“Aliás, (os partidos) poderiam ter acompanhado (as sessões públicas de
auditoria das urnas)... Nada disso é desenvolvido sem transparência”,
disse Toffoli.
“Quanto mais os pleitos eleitorais forem
disputados, maior terá a desconfiança, a possibilidade de suspeita se
nós não operarmos com toda a transparência”, disse o ministro Gilmar
Mendes. “Nós estamos dando uma resposta para pacificar os espíritos,
para evitar esse tipo de suspeita. Mas não é infundada.
Existem duas
frases: a candidata a reeleição dizendo ‘a gente faz o diabo’ (para
ganhar as eleições) e as palavras do ex-presidente e patrono da
candidata (o ex-presidente Lula), ‘eles não sabem do que somos capazes
de fazer para garantir a eleição’. Isso gera um enorme germe de
desconfiança e por isso que as nossas cautelas tem que ser redobradas”,
declarou o ministro Gilmar Mendes.
Outros ministros criticaram
indiretamente o pedido do PSDB e o ministro Gilmar Mendes.
O ministro
Henrique Neves, por exemplo, afirmou que a Corte Eleitoral não poderia
levar a sério “boatos de internet”. “Todo processo de votação eletrônico
foi editado, elaborado por esse Tribunal há mais de seis meses. Pela
internet, muitas histórias aparecem.
Na internet, em tese, Elvis Presley
está vivo”, disse o ministro. “O sistema, de um lado permite toda essa
fiscalização, mas ele não é imune a boatos. Mas esses boatos não são
nada menos que boatos”, pontuou o ministro.
“Essas redes sociais
aceitam quaisquer informações que sejam divulgadas”, complementou a
ministra Luciana Lóssio pontuando que além de Elvis Presley, Michael
Jackson também estaria vivo conforme os boatos de internet. “Talvez
fossem cantar o programa de final de ano da Rede Globo...”, ironizou a
ministra. (IG)






