
Mas a sociedade está mais
preparada para aceitar formações familiares diversas, o que inclui pais
que não sejam casados ou nem sequer tenham tido um relacionamento algum
dia (e o filho é resultado de uma transa casual).
"É importante
que a resolução não seja tomada com base em argumentos passionais ou
preconceituosos", afirma o terapeuta familiar e de casal Luciano
Passianotto, de São Paulo (SP), que diz, ainda, que optar por se casar
pensando que "se não der certo, podemos nos separar" é também um grande
erro.
"Um
casamento consome meses de planejamento, requer mudanças no estilo de
vida e exige recursos emocionais e financeiros. Todos esses recursos
devem estar voltados ao bebê que está para chegar, não ao casal",
afirma.
É óbvio que cada caso tem suas particularidades, e todos
os ângulos da situação devem ser observados. Existem casais que estão
juntos por anos e continuam e se amar; há os que mal se conhecem e
outros, ainda, que arrastam uma relação já sem brilho há tempos. "Na
minha opinião, o casamento não deve ocorrer quando sua motivação é
qualquer outra que não o amor e desejo de ficar juntos. Tomar essa
decisão por um sentimento de culpa ou para não se opor à família é muito
danoso", diz Luciano.
A psicóloga Gisela Castanho, de São Paulo (SP), afirma que, no caso de casais muito jovens, outras questões precisam ser consideradas, de ordem emocional, financeira e prática. "No entusiasmo com a situação, rapazes e moças parecem se dispor a brincar de casinha e podem cultivar os planos de casamento como uma espécie de fantasia", diz ela.
A psicóloga Gisela Castanho, de São Paulo (SP), afirma que, no caso de casais muito jovens, outras questões precisam ser consideradas, de ordem emocional, financeira e prática. "No entusiasmo com a situação, rapazes e moças parecem se dispor a brincar de casinha e podem cultivar os planos de casamento como uma espécie de fantasia", diz ela.
Na prática, é preciso saber que vão ter de
abrir mão de várias coisas e deixar, aos poucos, a função de filhos para
assumirem os papéis de pais de um bebê. "Nem sempre se casar é o ideal
nesse início de vida, ainda mais se terão de viver sob o mesmo teto que
os pais", comenta a especialista, que é organizadora do livro "Terapia
de Família com Adolescentes" (Ed. Roca).
É importante que os futuros pais também analisem criteriosamente as
circunstâncias e decidam o que é melhor para o bebê, principalmente, em
vez de querer prestar contas à sociedade ou forjar uma formação familiar
em nome de uma tradição.
De acordo com o pesquisador Renato
Alves, doutor em psicologia do desenvolvimento humano pela USP
(Universidade de São Paulo), o fato de um homem e uma mulher optarem por
não assumirem um compromisso efetivo diante de uma gestação não implica
em nenhum tipo de impacto na formação social ou psicológica da criança.
"A felicidade do filho tem mais a ver com a importância e o papel que
lhe dão do que com a configuração familiar a qual ele vai pertencer",
declara. "De que adianta, por exemplo, um casal ficar junto e culpar o
tempo todo o bebê pelo adiamento de planos ou não concretização de
sonhos? Será uma criança morando com um casal, sim, mas se sentirá
amada, querida, desejada?", pergunta Renato. "O que a criança precisa é
de pai e mãe presentes afetivamente", complementa Gisela.
Casamentos infelizes são um fardo para toda a família, incluindo para o
novo filho. Apesar do vínculo claro que os novos pais terão pelo resto
de suas vidas, eles não precisam estar casados para assumir plenamente
suas responsabilidades como pais e executarem essa função
suficientemente bem.
Os fatores que levam qualquer casamento (diante de uma gravidez não planejada ou não) dar certo são praticamente os mesmos: amor, respeito e objetivos comuns que façam com que o casal queira buscar suas metas lado a lado. "Quando ambos estão dispostos a encarar e assumir essa responsabilidade, há um fortalecimento do par, que ajuda na superação das dificuldades que terão pela frente, mesmo as que parecem assustadoras em um primeiro momento", diz Luciano.
Os fatores que levam qualquer casamento (diante de uma gravidez não planejada ou não) dar certo são praticamente os mesmos: amor, respeito e objetivos comuns que façam com que o casal queira buscar suas metas lado a lado. "Quando ambos estão dispostos a encarar e assumir essa responsabilidade, há um fortalecimento do par, que ajuda na superação das dificuldades que terão pela frente, mesmo as que parecem assustadoras em um primeiro momento", diz Luciano.
Do UOL, em São Paulo






