O presidente da Constran, João Santana, afirmou, em artigo escrito
para o jornal Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (3), que as obras da
Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) no interior da Bahia serão paralisadas por
falta de pagamento da Valec, empresa ligada ao Ministério dos
Transportes.
Com dois contratos assinados com a estatal - uma para a
construção de 150 Km da Ferrovia Norte-Sul, em Goiás, e outra referente a
170 km da Fiol -, o executivo alega que a construtora não recebe
pagamentos a quatro meses. "Em quase 60 anos de história é a primeira
vez que não recebemos nem sequer para honrar a folha de pagamento",
escreveu Santana.
De acordo com reportagem da própria Folha de S. Paulo,
a Ferrovia Oeste-Leste, licitada durante o governo Lula e estimada em
R$ 4,5 bilhões, possui atrasos significativos em sua construção. O
objetivo da obra é integrar o porto de Ilhéus com os municípios de
Caetité e Barreiras e o estado de Tocantins para gerar o fluxo de cargas
de longa distância.
A paralisação das obras da Valec na Bahia, Goiás e
em São Paulo poderá causar até nove mil demissões.Responsável pelas
construções, o governo federal teria sido informado de que todas as
empresas contratadas realizarão cortes no quadro de funcionários. "Nossa
situação financeira só não é delicada porque mais da metade do
faturamento é oriundo da iniciativa privada", disse o presidente da
Constran.
Ele também afirma que a crise envolvendo a empresa não tem
relação com a Operação Lava Jato, apesar da UTC, que a controla, ser uma
das investigadas pela Polícia Federal. Santana finaliza o artigo com
críticas à gestão econômica do governo Dilma Rousseff (PT) além de
questionar o "peso" do Estado brasileiro, hoje com 39 ministérios, para o
contribuinte.






