
Trata-se de um dos maiores mistérios da ciência: o que causou a pior extinção em massa da história da Terra? E não, não foi aquela que acabou com os dinossauros.
Cientistas disseram nesta quinta-feira que grandes quantidades de
dióxido de carbono expelidas por erupções vulcânicas colossais na
Sibéria podem ter tornado os oceanos
do mundo perigosamente ácidos 252 milhões de anos atrás, o que ajudou a
desencadear uma calamidade ambiental global que matou a maioria das
criaturas terrestres e marinhas.
Os pesquisadores estudaram rochas nos Emirados Árabes Unidos
localizadas no leito oceânico na ocasião que guardavam um histórico
detalhado das condições cambiantes dos oceanos no fim do Período
Permiano.
"Este é um dos poucos casos nos quais fomos capazes de mostrar que um
evento de acidificação dos oceanos aconteceu no passado remoto", disse a
geocientista Rachel Wood, da Universidade de Edimburgo, parte do grupo
de pesquisadores do estudo publicado no periódico Science.
"Isto é significativo porque acreditamos que os oceanos modernos estão
se tornando ácidos de uma maneira semelhante", acrescentou Wood.
"Estas descobertas podem nos ajudar a entender a ameaça representada
pela acidificação dos oceanos dos dias atuais para a vida marinha."
Várias hipóteses foram aventadas para explicar a extinção em massa que
ultrapassou até mesmo aquela de 65 milhões de anos atrás, causada por um
asteroide cujo impacto aniquilou os dinossauros e muitos outros
animais.
Os pesquisadores afirmaram que a acidificação dos oceanos era uma
suspeita há tempos, mas que nenhum indício direto tinha sido encontrado
até agora.
As gigantescas erupções que formaram uma região imensa de rocha
vulcânica chamada de Armadilhas da Sibéria representam um dos maiores
eventos vulcânicos do último meio bilhão de anos e duraram milhões de
anos, a extensão de tempo entre os períodos Permiano e Triássico.
As quantidades impressionantes de dióxido de carbono resultantes das
erupções tiveram consequências terríveis para a vida terrestre e
marinha. A absorção de dióxido de carbono mudou de forma letal, ainda
que temporária, a composição química dos oceanos, segundo os cientistas.
A extinção em massa durou 60 mil anos, afirmaram, e a maioria dos
répteis assemelhados aos mamíferos morreu, com exceção de algumas
linhagens, incluindo os ancestrais de mamíferos modernos, como o humano.






