
Apesar do corte de gastos em nome do ajuste fiscal atingir diversas
áreas estratégicas do governo, a presidente Dilma Rousseff, pressionada
pelo PT, sancionou ontem, sem vetos, dentro do Orçamento Geral da União a
verba do fundo partidário — três vezes maior neste ano. Parte do
recurso, de R$ 867,56 milhões, deve, no entanto, ser contingenciada.
As
definições sobre isso ocorrerão após análise do comportamento da
arrecadação e das votações sobre o plano de ajuste fiscal do governo
federal no Congresso.
Na semana passada, o PT decidiu proibir que seus
diretórios recebessem doações de empresas, como resposta ao escândalo de
corrupção investigado na Operação Lava-Jato. A resolução tem que ser
referendada no congresso do PT, em junho, na Bahia. Para que a proibição
se sustente, a legenda conta com a ampliação do fundo partidário,
sancionada ontem. “Entendemos que a democracia tem um
custo.
A opinião do PT, ela (Dilma) já conhece. Nesses termos (sem
veto), o congresso do PT deve ratificar essa decisão de proibir doação
empresarial”, disse o líder do PT na Câmara, deputado Sibá Machado
(AC). O aumento da verba para o fundo foi incluído
pelo relator do Orçamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR), sob o
argumento de que valeria como um teste para a tese do financiamento
público de campanhas eleitorais, defendida pelo PT em sua proposta de
reforma política.
Mas, o próprio PMDB — que é favorável às doações de
empresas — passou a pedir publicamente que Dilma vetasse a ampliação e
que mantivesse os valores de 2014: R$ 289,56 milhões. Os peemedebistas
alegavam que os recursos triplicados para o fundo poderiam prejudicar o
ajuste fiscal defendido pelo governo.






