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MAIS DE 12 MIL FAMÍLIAS RECEBEM ALUGUEL SOCIAL NO RJ. VALOR É SUFICIENTE?

Atualmente, mais de 12 mil famílias de todo o Estado do Rio de Janeiro recebem o chamado aluguel social da SEASDH (Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos). O benefício assistencial é concedido, desde 2010, a quem foi removido de casas afetadas por desastres naturais, situadas em áreas de risco ou desapropriadas por obras públicas.
Pouco mais de 30% das beneficiárias, de seis cidades, recebem R$ 500. Mais de 8.300 famílias, no entanto, têm que se virar com R$ 400, entre elas todas as contempladas na capital fluminense.

E é aí que moram os problemas. Só na cidade do Rio de Janeiro, o valor médio dos alugueis residenciais subiu 112,3% nos últimos cinco anos, segundo o Índice FipeZap de Locação. 

De acordo com a assessoria de comunicação da secretaria, nunca houve reajuste nos valores do benefício nem há planos para que isso aconteça. Entre os atendidos pelo aluguel social, as reclamações são frequentes. "Com os R$ 400 que eles dão para gente, não tem como pagar um aluguel", declarou na semana passada a dona de casa Laís Jussara Barreto, 35, que vive em uma casa interditada no Morro do Bumba, em Niterói, região metropolitana do Rio.

Durante a semana passada, a reportagem do UOL fez buscas de imóveis para alugar em dois dos maiores sites de busca do setor e encontrou apenas dois apartamentos com valor inferior a R$ 400 na capital fluminense. 

Os imóveis têm um quarto cada um. Um tem 20 m² e fica na Praça Seca, zona oeste, bairro que foi alvo de uma recente disputa entre milicianos e traficantes e não é atendido nem por trem nem por metrô. O outro tem 25 m², situado em Oswaldo Cruz, na zona norte, no subúrbio da cidade, a cerca de 20 km do centro. Em Niterói, na região metropolitana, nenhum foi encontrado.

Os resultados dão mostras das dificuldades externadas pelos moradores. Entre os ocupantes do edifício Hilton Santos, no Flamengo, zona sul do Rio, desocupado nesta terça-feira (14), por exemplo, o preço cada vez mais alto dos alugueis foi apontado por praticamente todas as pessoas ouvidas pela reportagem como o motivo pelo qual foram para as ruas ou para ocupações.

A menor faixa do benefício no Rio de Janeiro é igual à do auxílio concedido pelo governo de São Paulo, R$ 400, pagos através da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). Ambos são menores que o benefício concedido pelo governo do Distrito Federal, que paga R$ 600 mensais a famílias em situação de vulnerabilidade habitacional por meio da Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social.

Segundo a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio, os valores do benefício "foram definidos por levantamentos técnicos". O aluguel é pago por um ano, mas pode ser renovado, caso necessário. Há famílias que recebem o benefício desde que ele foi criado.

Presidente da Associação de Vítimas do Bumba, Francisco de Souza resume o que pensa sobre o valor do aluguel social: "Com R$ 400, a pessoa só pode morar no morro. Aí a pessoa sai de uma área de risco para outra. Ficam entregues a nossa própria sorte".
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