Pouco mais de 30% das beneficiárias, de seis cidades, recebem R$ 500. Mais de 8.300 famílias, no entanto, têm que se virar com R$ 400, entre elas todas as contempladas na capital fluminense.
E é aí que moram os problemas. Só na cidade do Rio de Janeiro, o valor
médio dos alugueis residenciais subiu 112,3% nos últimos cinco anos,
segundo o Índice FipeZap de Locação.
De acordo com a assessoria de
comunicação da secretaria, nunca houve reajuste nos valores do benefício
nem há planos para que isso aconteça. Entre os atendidos pelo aluguel
social, as reclamações são frequentes. "Com os R$ 400 que eles dão para
gente, não tem como pagar um aluguel", declarou na semana passada a dona
de casa Laís Jussara Barreto, 35, que vive em uma casa interditada no Morro do Bumba, em Niterói, região metropolitana do Rio.
Durante a semana passada, a reportagem do UOL fez
buscas de imóveis para alugar em dois dos maiores sites de busca do
setor e encontrou apenas dois apartamentos com valor inferior a R$ 400
na capital fluminense.
Os imóveis têm um quarto cada um. Um tem 20 m² e
fica na Praça Seca, zona oeste, bairro que foi alvo de uma recente
disputa entre milicianos e traficantes e não é atendido nem por trem nem
por metrô. O outro tem 25 m², situado em Oswaldo Cruz, na zona norte,
no subúrbio da cidade, a cerca de 20 km do centro. Em Niterói, na região
metropolitana, nenhum foi encontrado.
Os resultados dão mostras das dificuldades externadas pelos moradores.
Entre os ocupantes do edifício Hilton Santos, no Flamengo, zona sul do
Rio, desocupado nesta terça-feira
(14), por exemplo, o preço cada vez mais alto dos alugueis foi apontado
por praticamente todas as pessoas ouvidas pela reportagem como o motivo
pelo qual foram para as ruas ou para ocupações.
A menor faixa do benefício no Rio de Janeiro é igual à do auxílio concedido pelo governo de São Paulo,
R$ 400, pagos através da CDHU (Companhia de Desenvolvimento
Habitacional e Urbano). Ambos são menores que o benefício concedido pelo
governo do Distrito Federal,
que paga R$ 600 mensais a famílias em situação de vulnerabilidade
habitacional por meio da Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social.
Segundo a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio,
os valores do benefício "foram definidos por levantamentos técnicos". O
aluguel é pago por um ano, mas pode ser renovado, caso necessário. Há
famílias que recebem o benefício desde que ele foi criado.
Presidente da Associação de Vítimas do Bumba, Francisco de Souza resume
o que pensa sobre o valor do aluguel social: "Com R$ 400, a pessoa só
pode morar no morro. Aí a pessoa sai de uma área de risco para outra.
Ficam entregues a nossa própria sorte".






