O
tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, preso
na 12ª fase da Operação Lava Jato nesta manhã, em São Paulo, chegou à
Superintendência da Polícia Federal em Curitiba às 12h50.
Vaccari já é réu em ação oriunda da operação da PF, mas respondia em
liberdade. Ele é acusado de envolvimento no esquema de desvio de
dinheiro da Petrobras, possivelmente, desde 2004. O petista assumiu o
posto de tesoureiro do partido em 2010.
“Em relação à Petrobras, Vaccari tem papel semelhante ao de [Alberto]
Youssef, ou seja, um operador”, disse o procurador do Ministério Público
Federal (MPF), Carlos Fernando dos Santos Lima.
Na semana passada, o tesoureiro do PT foi ouvido na CPI da Petrobras no Congresso e negou a participação dele e de familiares no esquema.
Na semana passada, o tesoureiro do PT foi ouvido na CPI da Petrobras no Congresso e negou a participação dele e de familiares no esquema.
Pedido de prisão
No mandado de prisão, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, escreveu que João Vaccari Neto determinou que parte das propinas no esquema de corrupção na Petrobras fosse paga a uma gráfica sediada em São Paulo. O valor pode chegar a R$ 2,5 milhões.
No mandado de prisão, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, escreveu que João Vaccari Neto determinou que parte das propinas no esquema de corrupção na Petrobras fosse paga a uma gráfica sediada em São Paulo. O valor pode chegar a R$ 2,5 milhões.
Moro escreveu também que "os recursos criminosos teriam sido utilizados
não só para a realização de doações registradas ao Partido dos
Trabalhadores, mas também para a realização de pagamentos por serviços,
total ou em parte, simulados pela referida Editora Gráfica Atitude, isso
por indicação de João Vaccari Neto".
O juiz afirmou que, pelos relatos de delatores, Vaccari participou
"intensamente" do esquema na Petrobras, como operador do PT no
recebimento da propina.
Como o mandado contra o tesoureiro é de prisão preventiva, não há prazo para expirar.
Outros envolvidos
Além da prisão de Vaccari, foi expedido um mandado de condução coercitiva para a esposa de Vaccari, Giselda Rousie de Lima. Ela foi ouvida em casa. Para a polícia, a fala dela não acrescentou nada à investigação. "O depoimento não foi proveitoso", segundo a PF.
Além da prisão de Vaccari, foi expedido um mandado de condução coercitiva para a esposa de Vaccari, Giselda Rousie de Lima. Ela foi ouvida em casa. Para a polícia, a fala dela não acrescentou nada à investigação. "O depoimento não foi proveitoso", segundo a PF.
Há ainda um mandado de prisão temporária contra a cunhada de Vaccari,
Marice Correa de Lima. Mas ela não foi localizada. Além disso, há um
mandado de busca e apreensão.
A Polícia Federal disse ainda que a família de Vaccari tem diversas
operações financeiras suspeitas de valores significativos. Foram,
conforme a polícia, realizados depósitos no total de R$ 300 mil em três
anos.
A quebra do sigilo bancário do tesoureiro do PT já foi solicitada à Justiça. “Não há indicativo de crime, apenas suspeita de que estes valores tenham origem ilícita”, afirmou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.
A quebra do sigilo bancário do tesoureiro do PT já foi solicitada à Justiça. “Não há indicativo de crime, apenas suspeita de que estes valores tenham origem ilícita”, afirmou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.
Além disso, operações de compra e venda de um apartamento por parte da
cunhada do tesoureiro são investigadas. Segundo a polícia, Marice de
Lima adquiriu um apartamento por R$ 200 mil e o vendeu para a empresa
OAS por R$ 400 mil. Este mesmo imóvel, conforme as investigações, foi
vendido pela empreiteira por um valor menor. “Aparentemente, é uma
operação típica de lavagem de dinheiro”, pontuou o procurador.
Provas e denúncias
"Está claro o total desrespeito de Vaccari Neto com relação à Justiça e às leis brasileiras", disse o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula.
"Está claro o total desrespeito de Vaccari Neto com relação à Justiça e às leis brasileiras", disse o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula.
O delegado acrescentou ainda que existe material contundente para provar as irregularidades do tesoureiro.
Além disso, segundo o delegado, Vaccari foi citado por pelo menos cinco suspeitos que firmaram acordo de delação premiada para repassar informações sobre o esquema existente na Petrobras.
Além disso, segundo o delegado, Vaccari foi citado por pelo menos cinco suspeitos que firmaram acordo de delação premiada para repassar informações sobre o esquema existente na Petrobras.
Ainda de acordo com o delegado, nem mesmo o processo contra Vacarri
envolvendo a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo
(Bancoop) o intimidou. O Ministério Público de São Paulo denunciou o
tesoureiro do PT por suspeita de desvio de dinheiro da Bancoop para
campanha eleitoral em 2010.
Vaccari foi denunciado pelo Ministério Público Federal por ser suspeito
de participar de reuniões com o ex-diretor de Serviços da Petrobras
Renato Duque para tratar de pagamentos de propina, que era paga por meio
de doações oficiais de empreiteiras ao PT. O ex-gerente da estatal
Pedro Barusco, que também é investigado pela Justiça, afirmou que
Vaccari recebeu cerca de R$ 200 milhões em nome do PT.
Os valores chegavam como doação lícita, mas eram oriundos de propina. O MPF afirma que foram 24 doações em 18 meses, no valor de R$ 4,260 milhões. Contudo, tanto a Polícia Federal quanto o MPF dizem não ser possível afirmar quanto foi de fato foi doado e quanto foi arrecadado de forma ilícita.
Os valores chegavam como doação lícita, mas eram oriundos de propina. O MPF afirma que foram 24 doações em 18 meses, no valor de R$ 4,260 milhões. Contudo, tanto a Polícia Federal quanto o MPF dizem não ser possível afirmar quanto foi de fato foi doado e quanto foi arrecadado de forma ilícita.
A Lava Jato
A Operação Lava Jato foi deflagrada pela PF em março e 2014 e investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A última fase da operação foi deflagrada na última sexta-feira (10) e prendeu sete pessoas. Entre elas três ex-deputados federais: André Vargas, Luiz Argôlo (SDD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE).
A Operação Lava Jato foi deflagrada pela PF em março e 2014 e investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A última fase da operação foi deflagrada na última sexta-feira (10) e prendeu sete pessoas. Entre elas três ex-deputados federais: André Vargas, Luiz Argôlo (SDD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE).
Na terça-feira (14), A Justiça Federal determinou que parte dos presos
da 11ª fase fosse solta. Os suspeitos foram detidos em regime
temporário.
São eles: Ivan Vernon Gomes Torres Júnior, ex-funcionário do
ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), Elia Santos da Hora, secretária do
ex-deputado federal Luiz Argôlo, e Leon Vargas, irmão do ex-deputado
federal André Vargas.
Outro preso, que estava em regime temporário, o publicitário Ricardo
Hoffmann teve a prisão convertida em preventiva, a pedido do MPF.
Do G1 PR






