
Dois caixas eletrônicos são explodidos a cada cinco dias na Bahia. O
alto número deste ano tem feito com que muitos empresários ou
comerciantes desistam de ter os equipamentos nas lojas ou postos de
combustíveis. Só na terça-feira (6), por exemplo, caixas eletrônicos de
uma loja de variedades na Avenida Bonocô, na capital baiana, e um na cidade de Irará, foram atacados.
No lugar onde ficava um caixa eletrônico em uma padaria no bairro
Matatu de Brotas, na capital, agora estão freezers com sorvetes. O
gerente afirma que o medo de assaltos motivou a retirada dos terminais.
"Caixas sendo explodidos, as pessoas estavam tendo medo, principalmente
senhores e senhoras. Hoje, temos os nossos clientes de volta, cada vez
mais", diz Carlos Fróes.
No bairro do Engenho Velho da Federação, o dono de um mercadinho
manteve o caixa, mas optou por construir uma espécie de "casinha" para
proteger e evitar prejuízos. "Eu já teria tirado há muito tempo. Se
chegaram e colocarem uma dinamite aí, esse mercado vai ao chão", disse o
vigilante do local, Agnaldo Oliveira. Em uma das lojas de conveniências
da cidade, localizada na Avenida ACM, também na capital, o proprietário
recusou um novo equipamento após estouro do caixa eletrônico que
existia no local.
Em 2015, já são 84 assaltos a bancos, sendo 18 em Salvador e 66 no
interior. De acordo com o Sindicato dos Bancários da Bahia, em 66% dos
casos, há explosão de caixas eletrônicos. "É uma instituição privada.
Inicialmente, há uma segurança promovida pelo dono do estabelecimento. A
gente, quando é acionado, desloca imediatamente. Mas, na maioria das
vezes, o fato já aconteceu e os perpetradores já não se encontram mais",
explicou o Capitão Bruno Ramos, porta-voz da Polícia Militar.
Em nota, a Federação Brasileira dos Bancos lamentou a redução no número
de caixas eletrônicos, o que dificulta a vida da população e também
prejudica os bancos, já que precisam reformar o local das explosões e
repor todos os equipamentos danificados. A Federação disse, ainda, que
os bancos fazem investimentos em segurança como instalação de cofres com
dispositivo de tempo e circuitos fechados de televisão. Informa que
reduziram o volume de dinheiro disponível nas agências para incentivar a
população a usar os meios eletrônicos para fazer operações bancárias. A
Febraban informou que faz reuniões com órgãos das polícias Civil,
Militar e Federal e do Exército para a identificação e prisão dos
arrombadores.






