Cientistas descobriram em 1978, em um dos lugares mais isolados do planeta — na região central da Taiga russa — um achado histórico. Eles procuravam locais para exploração mineral, de civilizações perdidas e fósseis de animais. Acabaram encontrando uma moderna civilização perdida. Era a família Lykov, encontrada no meio de uma floresta inóspita e quase desconhecida. Os filhos dele não sabiam falar, não sabiam nem que havia acontecido a II Guerra Mundial e nunca haviam visto pão...
A descoberta foi quase um acidente. O helicóptero que procurava um local para construir um acampamento para geólogos que procurariam metais preciosos em uma região inexplorada.Mas, quando um helicóptero quase caiu em meio a uma garganta entre duas montanhas gigantescas, os cientistas viram uma clareira e imaginaram que ali havia humanos .
Não havia qualquer indício de civilização humana no local, por isso eles ficaram intrigados. Segundo cientistas, o mais próximo da presença humana fora registrada quase 1000 quilômetros distantes.
"Era difícil acreditar que tinha gente ali, toda a cabana parecia semi-destruída. Mesmo assim batemos na porta e quase não acreditamos quando um homem que parecia saído de filmes de fantasia apareceu", contou a geóloga Galina Pismenskaya em matéria publicada na Smithsonian Magazine
"Nós dissemos que viemos visitá-lo, e ele disse que, já que vieram de tão longe, poderiam entrar", comentou a cientista. O homem em questão era Karp Lykov, que fora buscar refúgio na floresta após um acidente aterrador na vida dele.
Lykov fugiu porque uma patrulha soviética matou o irmão dele por suspeita de subversão, em 1938 (na época, a União Soviética estava em seu início). Então, ele fugiu com a mulher para uma selva inóspita e completamente desabitada e por lá morou.
Teve quatro filhos, que nunca viram a civilização, a não ser os próprios pais. Os filhos não sabiam falar e aprenderam a ler na Bíblia. Não sabiam nada a respeito da II Guerra Mundial e escreviam com galhos. Mas eles não comiam bem: um monte de ervas e folhas e, às vezes animais caçados, necessários pela gordura para suportar o clima extremamente frio da região.
Em 1961, a mulher dele morreu, em em meio a um inverno rigorosíssimo. Logo depois, com o acampamento montado próximo, os Lykov tiveram uma relação mínima com os geólogos. Vez ou outra eles iam na base dos geólogos, mas nunca saíram da floresta. Quando perguntados sobre quem era Adolf Hitler, eles disseram não saber, assim como não acreditarem que o homem pisou na lua. Apesar disso, eles sabiam da existência de satélites, por "verem estrelas se mexendo rápido demais".
Em 1981, três dos quatro filhos morreram, de problemas de rim, provavelmente pela dieta esquisita deles. O patriarca Karp morreu em 1988, de problemas similares. Só sobrou uma das filhas, Agafia, que ainda mora por lá e foi encontrada pela revista VICE, que fez uma visita a senhora em 2013.
Ela mantém a tradição de seus ancestrais e não mantém praticamente nenhum contato com outras pessoas. Hoje uma anciã apegada às raízes de isolamento da família dela, Agafia afirma que "sem os geólogos, eles não teriam sobrevivido". "Eles nos deram ferramentas e alimento, sem eles a gente teria morrido", conta ela para a reportagem da VICE.
Ela lembra, inclusive, que a família teve que comer os próprios sapatos e cascas de árvores em 1961, justamente no ano em que a matriarca morreu, por passar fome para alimentar os próprios filhos. Eles viraram celebridades quando um jornalista russo escreveu uma série de artigos sobre eles e reuniu tudo em um livro que fez muito sucesso no país. Atualmente, o governo russo criou uma reserva ao redor deles e nomeou Território Rykov, em homenagem a eles. Hoje ela vive em um lugar mais tranquilo, junto com o marido e diversas cabanas para abrigar os animais e estufa para preservar as colheitas da destruição do inverno.
ajuda veio de um lugar improvável: de admiradores, além dos geólogos que ainda mantém amizade com ela. Há alguns, para o provável desgosto do pai, ela fez uma viagem que deu a volta a Rússia, de helicóptero, carro e trem. "Conheci bastante coisa, mas isso só reiterou o meu desejo de morar aqui", completa Agafia.
"Não dá pra viver em cidades, nem ar puro temos mais", finalizou.
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