
Ferimentos no crânio de um ancestral encontrado na Espanha mostram que ele foi morto por outro hominídeo
Um grupo de pesquisadores espanhóis, americanos e
chineses estudou dois ferimentos no crânio de um ancestral encontrado na
Sima de los Huesos (na Serra de Atapuerca) e concluiu que ele foi
assassinado por outro hominídeo.
Segundo a pesquisa, o tipo, a
posição das fraturas e o fato de serem quase idênticas sugerem que elas
"foram produzidas pelo mesmo objeto em um conflito interpessoal com
vários ataques".
Como ambas as fraturas eram potencialmente
fatais, os pesquisadores concluíram que a presença delas indica que
havia a intenção de matar e que essa descoberta mostra que a violência
letal interpessoal é um comportamento humano ancestral.
Os
cientistas afirmam que o estudo traz evidências assustadoras de que a
violência era parte intrínseca da cultura humana nos seus primórdios.
Eles
afirmam ainda que a violência interpessoal (letal ou não letal) na
pré-história é como uma janela das relações humanas no passado e que a
disputa pode ter ocorrido por fatores como competição por recursos
escassos ou defesa de território.
Publicada na revista
científica PLOS One, o estudo Lethal Interpersonal Violence in the
Middle Pleistocene(Violência interpessoal legal no Pleistoceno Médio)
traz as tomografias do crânio que foram usadas pelos pesquisadores.
"Não
há sinais de que as fraturas se cicatrizaram e o ângulo dos ferimentos
indicam que eles foram feitos quando o osso ainda estava fresco (ou
seja, de um humano vivo), o que nos leva a acreditar em assassinato",
afirmou Rolf Quam, da universidade americana de Binghamton, em
entrevista à rádio NPR.
Hábitos funerários
A
pesquisa também joga luz sobre como os hominídeos da época (período
Pleistoceno, entre 2.588 milhões e 11,5 mil anos atrás) enterravam seus
mortos.
Os pesquisadores afirmam que parte da caverna poderia ter
sido usado como depósito para cadáveres, no que pode ser considerado um
dos primeiros indícios já registrados sobre o comportamento funerário
dos nossos primeiros ancestrais.
A antropóloga Debra Martin, da Universidade de Nevada, é especialista em culturas pré-históricas, incluindo violência.
"Os
resultados são muito convincentes. Eu acredito que quanto mais a gente
pesquisa e obtém evidências forenses como essas, mais vamos comprovar
que a violência é algo que está entre nós desde que a cultura."






