
O aumento do desemprego no País, que atinge todas as faixas, mas em
especial os brasileiros com 18 a 24 anos, castiga também os jovens com
maior nível de escolaridade, que há até pouco tempo eram os menos
afetados pela escassez de trabalho.
Em dez anos, saltou de 528 mil para 830 mil o número de jovens que se
formam anualmente nas universidades brasileiras.
Essa geração,
beneficiada pelo acesso mais amplo ao ensino superior – parte dele
favorecido por programas como o Financiamento Estudantil (Fies) do
governo federal, que beneficiou cerca de 2 milhões de pessoas desde 2010
-, chega ao mercado e se depara com a falta de vagas.
“Terminei a faculdade em julho do ano passado e esperava que as
empresas pudessem me dar uma oportunidade de crescimento, mas não foi
isso que aconteceu”, diz Mateus de Oliveira, de 21 anos, formado em
Gestão de Recursos Humanos pela Faculdade de Comunicação, Tecnologia e
Turismo de Olinda (Facottur). Ele mora em Olinda (PE) com a irmã e a
mãe. Os três sobrevivem com o salário mínimo que a mãe recebe como
cuidadora de uma idosa e a pensão que o pai paga, e se diz “desesperado”
para conseguir um emprego.
“Já estou aceitando qualquer vaga, até de vendedor em shopping
center”, afirma Mateus. Além das necessidades básicas, ele quer se
livrar de uma dívida de cerca de R$ 2 mil no cartão de crédito.
Dados da última Pesquisa Mensal de Empregos (PME), do IBGE, mostram
que a taxa geral de desemprego em seis regiões metropolitanas do País
(São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre) foi de
6,4% em abril. Entre os jovens, essa taxa foi duas vezes e meia maior, e
ultrapassou os 16%.
Para Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador e professor do Instituto
Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), apesar de o
desemprego estar crescendo em todas as faixas etárias, os jovens tendem
a sofrer mais em casos de conjuntura desfavorável.
“Em geral, o jovem é menos experiente, está em processo de
escolarização e é menos produtivo. Numa recessão, a tendência é
justamente cortar os trabalhadores menos produtivos”, diz Moura. “Além
disso, o jovem é a única faixa etária que tem um contrato de trabalho
mais flexível que os demais. Na hora de desligar, a empresa não incorre
em custos demissionais; portanto, é mais barato.” Informações do
Estadão.






