O Ministério Público Federal e a Polícia Federal afirmaram nesta
segunda-feira (3) que o ex-ministro José Dirceu, preso na 17ª fase da
Operação Lava Jato, participou da instituição do esquema de corrupção da
Petrobras quando ainda estava na chefia da Casa Civil, no governo de
Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-ministro "repetiu o
esquema do mensalão", disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima
em entrevista em Curitiba. "Não é à toa que o ministro do Supremo disse
que o DNA é o mesmo. Nós temos o DNA, realmente, de compra de apoio
parlamentar – pelo Banco do Brasil, no caso do mensalão, como na
Petrobras, no caso da Lava Jato.
Segundo ele, Dirceu foi “instituidor e beneficiário do esquema da Petrobras”, mesmo durante e após o julgamento do mensalão."José
Dirceu recebia valores nesse esquema criminoso enquanto investigado no
mensalão e enquanto foi preso. Seu irmão fazia o papel de ir até as
empresas para pedir esses valores." O procurador afirmou que esta foi
uma das razões que motivaram o novo pedido de prisão para Dirceu, que já
cumpria prisão domiciliar por condenação no mensalão.O
irmão do ex-ministro, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, foi um dos sete
presos na 17ª fase da Lava Jato (veja a lista completa de presos mais
abaixo). Ele era sócio de Dirceu na JD Consultoria, empresa suspeita de
receber R$ 39 milhões por serviços que não foram feitos. Segundo as
investigações, era por meio dela que propinas por contratos na estatal
eram pagas. O grupo criminoso também teria recebido valores ilícitos em
espécie e por meio de prestadores de serviços.Roberto
Podval, advogado que representa Dirceu, afirmou mais cedo que primeiro
vai entender as razões que levaram à prisão para depois se posicionar.
Anteriormente, a defesa já havia negado a participação do ex-ministro no
esquema de corrupção investigado.
Como começou o esquema:
Investigações
mostram que Dirceu indicou Renato Duque para a diretoria de Serviços da
Petrobras e, a partir disso, organizou o esquema de pagamento de
propinas. "Temos claro que José Dirceu era aquele que tinha como
responsabilidade definir os cargos na administração Luiz Inácio [Lula da
Silva]", disse o procurador (assista ao vídeo abaixo). O nome de Duque
teria sido sugerido pelo lobista Fernando Moura, também preso nesta
segunda.Nesta fase da Lava Jato, os investigadores
focam irregularidades em contratos com empresas terceirizadas. "São
empresas prestadoras de serviços terceirizadas da Petrobras contratadas
pela diretoria de Serviços que pagavam uma prestação mensal através de
Milton Pascowitch [lobista e um dos delatores da Lava Jato] para José
Dirceu. Então, é um esquema bastante simples que se repete", afirmou o
procurador.Para o MPF, o ex-ministro enriqueceu
dessa forma. "A responsabilidade do José Dirceu é evidentemente, aqui,
como beneficiário, de maneira pessoal, não mais de maneira partidária,
enriquecendo pessoalmente", disse o procurador.O
juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira
instância, escreveu no despacho de prisão de José Dirceu que o
ex-ministro "teria insistido" em receber dinheiro de propina em
contratos da Petrobras mesmo após ter deixado o governo, em 2005.






