
BR-101,
norte do Espírito Santo, setembro de 2015. Um caminhoneiro sente um
cheiro forte e localiza uma anta – o maior mamífero terrestre brasileiro
– na margem da pista, em estado avançado de decomposição. Cinco meses
antes, no mesmo trecho da rodovia, biólogos encontraram uma fêmea adulta
de harpia, a maior ave de rapina das Américas, debilitada por fraturas e
hematomas.
Por ali, restos de retrovisor de caminhão. No mês anterior, a
vítima fora uma onça-parda. As cenas com espécies ameaçadas de extinção
são um retrato de um filme que não sai de cartaz no Brasil: a matança
de animais por atropelamentos em estradas.
Essa é, de longe, a principal
causa de morte de bichos silvestres no país, superando caça ilegal,
desmatamento e poluição. São 15 animais mortos por segundo, ou 1,3
milhão por dia e até 475 milhões por ano, segundo projeção do CBEE
(Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas), da Universidade
Federal de Lavras (MG).






