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Representantes das etnias Apinajé e Krahô, que não vão participar dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), por entenderem que “esse não é o momento de festejar”, fizeram duras críticas aos jogos, em entrevista à BBC Brasil. Com o JMPI, Amastha gastou cerca de R$ 4 milhões, afirma o site. Ao todo serão gastos R$ 100 milhões. Os índios disseram que os JMPI não trarão benefício algum para os povos indígenas e que o evento não é nada mais que “um circo para turista ver”. “Nós indígenas, que somos os protagonistas, vamos lá e depois voltamos do mesmo jeito que fomos”, lamenta.

 - A presidente Dilma Rousseff deve estar em Palmas nesta sexta-feira, 23, para a abertura oficial dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. A agenda na capital tocantinense inclui uma reunião para discutir a região do Matopiba com os governadores do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), do Piauí, Wellington Dias (PT) e da Bahia, Rui Costa (PT), além do prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB) e representantes de entidades empresariais.
O encontro foi articulado pela ministra da Agricultura, Kátia Abreu, segundo sua assessoria de
imprensa, e será realizado às 15 horas no Céu Palace Hotel, em Palmas. Segundo Kátia, Dilma deve anunciar a liberação de recursos da ordem de R$ 10 milhões para a Prefeitura de Palmas para garantir como legado dos jogos à Capital a implantação de um complexo esportivo com uma piscina olímpica na cidade.
Kátia Abreu anunciou na semana passada que, junto com a presidente Dilma Rousseff, deverá apresentar no Japão, a investidores japoneses e a dirigentes da Jica, as prioridades dos governadores do Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí na implantação da região do Matopiba, criada pelo governo federal. Segundo a Ministra, os governadores já levantaram suas necessidades mais imediatas para investimentos na região. "Estamos indo ao Japão com a presidente Dilma para apresentar os projetos à Jica que quer financiar o desenvolvimento do Matopiba", disse a Ministra.
Sobre o Matopiba
O Matopiba é considerado a última fronteira agrícola do mundo e atualmente representa 10% da produção de grãos no Brasil. É estratégico para a ascensão social dos pequenos produtores locais e para o incremento da produção e da exportação agropecuária do país.
O Matopiba abrange 337 municípios e 31 microrregiões num total de 73 milhões de hectares, com 5,9 milhões de habitantes. O principal critério de delimitação territorial foi embasado nas áreas de cerrados existentes nos quatro estados. O segundo critério foram os dados socioeconômicos.
Dados do Ministério da Agricultura mostram que, diferentemente das cidades, que contam com 50% da população na classe média, o campo tem apenas 16% de produtores nesta faixa de renda.
O Maranhão ocupa 32,77% de todo o território do Matopiba, com 23,9 milhões de hectares em 135 municípios. O Tocantins tem 37,95% da área, 27,7 milhões de hectares e 139 municípios. Já o Piauí representa 11,21%, tem 8,2 milhões de hectares e 33 municípios e a Bahia ocupa 18,06% da área, com 13,2 milhões de hectares e 30 municípios. A proposta de delimitação foi feita pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (GITE), da Embrapa.
Agricultura
O território do Matopiba apresenta a expansão de uma fronteira agrícola baseada em tecnologias modernas de alta produtividade. Hoje, o principal grão destinado à exportação é a soja, mas outras culturas começam despontar na região como o algodão e o milho.
O clima favorável, o perfil dos produtores e a legalidade de novas áreas a serem abertas trazem boas perspectivas para a região. Assim, a totalidade dos quatro estados deverá apresentar aumento de 7,9% na produção de grãos na safra 2015/2016.
No caso da soja, por exemplo, os quatro estados aumentaram significativamente sua produção na safra de 2014/2015 em relação à 2013/2014. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Bahia teve crescimento de 20,3% (produção total de 3,979 milhões de toneladas), o Piauí, 18,6% (1,766 milhões de toneladas), o Maranhão, 16,4% (2,123 milhões de toneladas) e o Tocantins, 13,5% (2,335 milhões de toneladas).
Entre 1973 e 2011, a produção de soja passou de 670 mil toneladas para mais de 7 milhões. E a de grãos saltou de 2,5 milhões de toneladas para mais de 12,5 milhões no mesmo período.
O total produzido de soja deverá saltar de 18.623 milhões de toneladas da safra 2013/2014 para 22.607 milhões de toneladas em 2023/2024, aumento de 21%.
População e economia
A população total do Matopiba é de 5,9 milhões, sendo que Imperatriz (MA) tem o maior contingente populacional, 566 mil pessoas.
Do total de 250.238 estabelecimentos rurais, 85% têm mais que 100 hectares e exploram principalmente lavouras temporárias e permanentes, hortícolas, bovinos, leite, porcos, aves e ovos.
Os dados coletados pela Embrapa mostram concentração de renda e pobreza na região. Do total de estabelecimentos, 80% são muito pobres (renda mensal de 0 a 2 salários mínimos) e geraram apenas 5,22% de toda a renda bruta do Matopiba. 14% são pobres e geraram 8,35 % da riqueza na região. 5,79% são classe média e responsáveis por 26,74% da renda.
Somente 0,42% das propriedades são ricas (renda mensal de 200 salários mínimos) e geraram 59% da renda bruta da região.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Matopiba soma R$ 46,9 bilhões, sendo que o Maranhão responde por 41% desse total, seguido por Tocantins (36,7%), Bahia (18,47%) e Piauí (3,74%). O PIB per capita da região é de R$ 7,95 mil, abaixo da média do Nordeste (R$ 9,56 mil), do Norte (R$ 12,7 mil) e do país (R$ 19,77 mil).
 Tocantins 247
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