
A Prefeitura de Palmas quer regulamentar o trânsito de caminhões pelas vias da Capital. Uma minuta de decreto foi apresentada a empresários nessa quinta-feira, 21, durante reunião na Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa).
O secretário de Trânsito, Transportes e Mobilidade, Cristhian Zini, explicou que o município sentiu a necessidade de regulamentação depois de confirmar a informação divulgada pelo CT de que pelo menos 600 caminhões passarão por dia pela cidade com a inauguração, em fevereiro, de um gigantesco armazém da VLI – Valor da Logística Integrado, uma das empresas da Vale do Rio Doce, no Pátio Multimodal da Ferrovia Norte-Sul em Luzimangues. “A partir desta matéria do CT, fomos à VLI e o gerente nos informou que, na verdade, serão 1 mil caminhões por dia”, contou o secretário.
Depois, a prefeitura começou a pesquisar as melhores práticas de mobilidade urbana sobre a regulamentação do trânsito de caminhões. Os modelos que inspiram o decreto elaborado por Palmas são os de Belo Horizonte (MG) e, principalmente, de Curitiba (PR). “Mas decidimos debater e ouvir sugestões do empresariado de Palmas, por isso, fizemos a reunião nessa quinta”, explicou Zini.
Segundo ele, os empresários vão se reunir agora por segmento e devem apresentar sugestões na semana que vem. Ainda na segunda-feira, 25, Zini e o prefeito Carlos Amastha (PSB) devem receber produtores de soja para discutir o problema. Os caminhões que passarão pela Capital em direção a Luzimangues estarão carregados com soja. “Mas não nos preocupamos só com a soja, também com outros segmentos que também utilizam caminhões pesados, às vezes para entregar duas caixas numa loja. Isso precisa ser regulamentado, atrapalha a cidade e nossa malha viária não suporta”, ressaltou o secretário.
A solução seria a construção do anel viário, que permitirá que as cargas possam ser levadas até Luzimangues via NS-15, que contorna as Arnos. Os caminhões tomariam a chamada Avenida Orla, a ser aberta depois da Praia das Arnos, e seguiriam até as proximidades da UFT, onde pegariam a Ponte FHC. “Mas aí é outro problema, porque a ponte não suporta um tráfego de 1 mil caminhões por dia”, avaliou Zini.
Atualmente esses caminhões entram pela LO-05, próximo à Saneatins, e passam pela Feira da 304 Sul e HGP, dois lugares que poderão enfrentar sérios problemas com o intenso tráfego a partir do próximo mês. A maior preocupação é com o HGP, com a chegada constante de pacientes em ambulâncias.
Corredor de caminhões
O presidente da Acipa e do Conselho de Inovações e Desenvolvimento Econômico de Palmas (Cidep), Kariello Coelho, comentou as definições da reunião. “Discutir as melhores alternativas com todos que estão diretamente envolvidos, vai fazer toda diferença quando o decreto for colocado em prática. Dividimos as próximas discussões por setores, com o objetivo de identificar melhor as dificuldades de cada um. Assim, poderemos apresentar sugestões mais consistentes à prefeitura”, disse.
O representante da EHL Eletro Hidro, Wilmar Bastos, deu sua sugestão. “Uma medida paliativa seria criar um corredor para caminhão. É importante que se discipline mas, sem prejudicar a economia em função disso e ver o que é viável. O Brasil está passando por um momento que precisa de investimento e, algumas proibições com certeza inibem investimento”, destacou.
O presidente da Associação dos Produtores de Soja do Tocantins (Aprosoja), Ruben Ritter, frizou sua inquietação referente ao tema. “O que nos preocupa, muitas vezes, é que o próprio poder público não reconhece a importância que é a soja na economia. Então, você restringir a passagem de caminhões de soja no perímetro de Palmas chega a ser um absurdo, porque, se algo ainda move a nossa economia é o agronegócio. O que nós propomos é que seja criado um caminho determinado e específico para esses caminhões passarem”, reforçou.
A presidente da Associação Tocantinense de Supermercados (Atos), Maria de Fátima de Jesus, reforça a importância de se ter uma discussão. “A prefeitura tem essa vontade de melhorar e regulamentar e nós queremos participar. A gente sabe que tudo o que foi proposto não é possível nesse momento, então, vamos fazer nossas ponderações, considerações e mostrar como nós podemos hoje, viabilizar nossas empresas e também contribuir um pouco mais com a mobilidade de Palmas”, disse.
O secretário Municipal de Acessibilidade, Mobilidade, Trânsito, Christian Zini, reforçou a preocupação do município. “Nossa ideia é ouvir todos os lados e provocar uma discussão organizada, e a Associação Comercial, o Cidep a Câmara dos Dirigentes Lojistas de Palmas (CDL) têm tido um papel fundamental. Não tem como se falar em desenvolvimento urbano se não se falar em mobilidade urbana. O que a gente precisa é regulamentar, então, se os empresários participarem eu acredito que todos sairão ganhando”, afirmou. (Com informações da Ascom Acipa)






