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DA BASE DO PREFEITO, CLAUDEMIR PORTUGAL ENTREGA COMANDO DO PPS DE PALMAS; TOM LYRA ASSUME E DISPARA: "AMASTHA ESTÁ DANDO TIRO NO PÉ"

O anúncio da pré-candidatura do empresário Tom Lyra a prefeito de Palmas levou os vereadores do partido dele, o PPS, e aliados do prefeito Carlos Amastha (PSB), a se movimentarem. O vereador Claudemir Portugal entregou a presidência do diretório metropolitano da legenda, que já está sendo assumida pelo próprio Tom Lyra. Portugal não descartou a possibilidade de deixar a sigla. "Não tenho espaço no governo, então, não estaremos perdendo nada”, reagiu Tom à possibilidade de vereadores deixarem o PPS. Responsável pela direção estadual, o deputado Eduardo do Dertins, delegou apoio “irrestrito” a Tom e garantiu que não há racha no partido.


Em conversa com o CT, Eduardo do Dertins amenizou a troca de comando do metropolitano pepessista e preferiu destacar o fortalecimento da legenda. “Nós temos um trabalho no Tocantins que vem galgando no crescimento do PPS. Sendo a eleição na Capital o projeto de maior anseio de todos os partidos, e nós tendo um nome como o do Tom Lyra, nada mais natural que ele assuma a presidência do partido metropolitano, para dar continuidade ao projeto de candidatura, e com total apoio”, afirmou o presidente estadual.

Questionado sobre a insatisfação dos vereadores pepessistas da Capital com o anúncio de pré-candidatura, por estarem na base do governo Amastha e preferirem se manter com o Paço, Eduardo do Dertins negou qualquer atrito, apesar de confirmar a vontade de Claudemir Portugal de deixar a direção. “Na verdade, o que posso dizer é que existiu um pedido de afastamento. Mas não existe nenhum tipo de racha, de crise. O PPS continuará sendo eficaz e transparente”, garantiu.

Por fim, o presidente estadual pepessista voltou a defender o projeto da sigla para Palmas. “O acontecimento foi o mais natural possível no campo político. A decisão do Tom Lyra de concorrer [o Paço] foi recebida com alegria”, disse Eduardo do Dertins, que também ponderou a situação do partido. “Toda unanimidade é burra. Se houver discordância, isso será digerido durante o processo. Mas a nossa busca é aglutinar, é resolver, fazendo com que nossa atuação possa atrair outros grupos e líderes e ir criando musculatura”, finalizou.

Pré-candidato
Tom Lyra foi mais duro ao comentar a situação do partido na Capital. O pré-candidato confirmou que irá assumir o diretório metropolitano. A previsão é que aconteça na segunda-feira, 29, a solenidade de posse. O mais novo membro da sigla condenou o posicionamento dos parlamentares pepessistas e fez críticas ao prefeito de Palmas.

“Carlos Amastha só começou a falar com os vereadores depois da minha pré-candidatura. Desde que lancei pré-campanha, tenta me esvaziar”, disse Tom Lyra, que estendeu também críticas aos legisladores, que, segundo ele, já teriam sinalizado que sairão do partido. “Não vou ficar candidato a prefeito para fazer a política de interesse pessoal. Estou tratando de interesse coletivo. Vereador não deixar o governo porque tem cargos, isso não existe”, disparou. O PPS ainda tem Etinho Nordeste na Câmara da Capital.

O pré-candidato pepessista chegou a elogiar Amastha, para ele, uma pessoa “honrada” e com “qualidades de gestor”, mas ponderou que isto é apenas metade da administração. Tom Lyra criticou o aumento da violência na Capital, que diz ter crescido 26% de 2014 para 2015; o valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e do sobre Serviços Sobre Qualquer Natureza (ISSQN), condenou suposto alto número de multas dadas pela Guarda Metropolitana e ainda reprovou o que chamou de “cerceamento político de membros que foram eleitos vereadores”.

Em relação à possível saída dos legisladores palmenses do PPS, para permanecerem na base do prefeito, Tom Lyra prevê que não haverá prejuízos, caso seja confirmado. “Não tenho espaço no governo, então não estaremos perdendo nada, vai continuar como está. Os vereadores que temos só estão tratando dos assuntos deles e da prefeitura”, disse o pré-candidato, que ainda avaliou: “Carlos Amastha está dando um tiro no pé. Vereador é questão administrativa, e o que importa agora é tempo de televisão”.

Constrangimento
Claudemir Portugal garantiu ao CT no fim da tarde desta quarta-feira, 24, que não há “resistência” ao nome de Tom Lyra, do qual disse “respeitar e admirar bastante”. “ A questão é mais pessoal e com o grupo político que me acompanha. Após fazer uma avaliação do contexto, tomamos a decisão de que nós iríamos nos abster da discussão da pré-candidatura. Não estou me colocando contra”, argumentou.

O vereador também confirmou que foi sua escolha deixar a presidência. “Para não criar situação constrangedora no partido e acatando a opinião do meu grupo político, pedi afastamento”, disse Claudemir Portugal, que voltou a se justificar. “Para não criar situação constrangedora no partido, pedi afastamento. Não estou contra o lançamento da candidatura do Tom Lyra, mas, para mim e meu grupo, que estamos acompanhando desde 2012 a gestão do prefeito Carlos Amastha, decidimos nos abster”, acrescentou.

O legislador pepessista ainda alertou para necessidade de afinar o posicionamento com a nova postura da sigla, já que esteve na base do Paço desde 2012. “Para mim abraçar uma pré-candidatura, preciso de algum discurso. Como vou fundamentar isso? De uma hora para outra teria que mudar a linha? A avaliação do meu grupo é que ficaria complicado fazer isso”, comentou.

Pressionado sobre a possibilidade de deixar o Partido Popular Socialista, amparado pela Lei 13.165 de 2015, que trata da minirreforma eleitoral e permite a troca de legenda sem prejuízos, Claudemir Portugal não descartou a possibilidade. “Nós estamos em uma situação que não se pode prever. Vamos torcer para que isso não aconteça. Não dá para afirmar isso agora. Vamos torcer para que não seja necessário”, finalizou.

Cléber Toledo
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