
Desaparecido desde o último dia 6, o dono de uma oficina
mecânica no Gradim, em São Gonçalo, Mario Luiz Alves da Silva, de 45
anos, pode ter sido vítima de um golpe aplicado por um homem de 25. O
suspeito é identificado pela Divisão de Homicídios como Luiz Ricardo
Barreira da Cruz, que está foragido da Justiça. Na manhã desta
terça-feira, a mulher da vítima, a técnica de Patologia, Luciana de
Oliveira, de 32, contou que, mesmo foragido, o suspeito continua vendo
as mensagens pelo aplicativo de WhatsApp.
Como o seu marido conheceu Luiz Ricardo?
O
meu marido fez um anúncio da venda do carro dele, um Volkswagen Jetta,
no site de vendas OLX. E, no dia 24 de janeiro, o Luiz Ricardo entrou em
contato, se mostrando interessado na compra do veículo. No outro dia,
ele apareceu na oficina para ver o carro e mudou a história, dizendo que
iria arranjar um comprador para o carro dele. Depois de um tempo, ele
voltou a ligar, e disse que havia conseguido uma pessoa que daria R$ 40
mil em dinheiro e mais uma motocicleta avaliada em R$ 18 mil.
A senhora chegou a desconfiar do Luiz Ricardo?
Sim.
Ele começou a inventar várias histórias para o meu marido. Marcava em
um local para eles irem, e, no meio do caminho, dava uma desculpa que
tinha que voltar. No dia 5, ele ligou novamente e falou que havia
conversado com o homem que iria comprar o carro, e ele disse que os dois
teriam que ir buscar a moto, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio. E ele
tinha que ir sozinho. Falei que achava estranho, mas o Mario disse que
ia dar tudo certo.
E quando foi a última vez que você falou com o seu marido?
No
dia 6, o Mario saiu cedo de casa e foi com o Luiz para o Rio. Falei com
ele até às 11h, quando ele disse que estava entrando em área de risco.
Depois, desapareceu e o Luiz chegou a ir à minha casa e disse que meu
marido havia ido ao Jardim Catarina e que não sabia de nada.
Como a senhora tem vivido desde o desaparecimento?
No
começo, cheguei a ter esperanças, mas, depois que passamos a desconfiar
do Luiz, só quero achar o corpo do meu marido para enterrar. Tive que
levar a minha filha de 10 anos para o piscólogo. Estávamos juntos há 14
anos e também temos filho de 6 meses. E ele não vai conhecer o pai. O
que me dá mais ráiva é saber que este assassino está no WhatsApp.
Suspeito treinou tiro
Responsável
pelo setor de Descobertas e Paradeiros da Divisão de Homicídios de
Niterói (DH), o delegado Gabriel Poiava disse que o mandado de prisão
contra Luiz Ricardo já foi expedido, e que está em negociação com os
advogados do suspeito para que ele se entregue:
—
Descobrimos que o Luiz havia se matriculado, há um mês, em uma escola de
tiros em São Gonçalo. O objetivo dele era aprender a manusear armas de
fogo.






