
Em entrevista à TV Anhanguera, Eduardo disse que está tranquilo. Ele negou que tenha usado dinheiro de origem ilegal. Argumentou ainda que mora há 50 anos no Tocantins e que ajudou a construir o estado ao lado do pai, o ex-governador Siqueira Campos.
"É a primeira vez que deponho na Operação Ápia, como eu sou cidadão comum, agente público, acho que é minha obrigação. Fizeram a revista no apartamento, não há o que encontrar ou levar. Acho que isso faz parte", complementou.
Os policiais também fizeram busca e apreensão de documentos no escritório de advocacia de Renan Bezerra de Melo Pereira, ex-superintendente de obras e filho do procurador geral do Ministério Público Estadual Clenan Renaut de Melo. A PF informou que, por causa de uma determinação judicial, não vai divulgar informações oficiais sobre a operação.
A advogada de Renan, Juliana Bezerra, disse que só vai se posicionar após ter acesso às informações.

Entenda
A 1ª fase da operação foi realizada em outubro do ano passado. Na
época, 115 mandados judiciais foram cumpridos. Um deles foi contra o ex-governador Sandoval Cardoso (SD), que teve a prisão preventiva decretada e ficou 15 dias preso na Casa de Prisão Provisória de Palmas.
Segundo informações da PF, o grupo suspeito de fraudar licitações de
terraplanagem e pavimentação asfáltica no Tocantins funcionava em três
núcleos compostos por políticos, servidores públicos e empresários. A
suspeita é de que o grupo tenha desviado cerca de R$ 200 milhões.
Entre os investigados está o ex-governador Sandoval Cardoso, que teve
prisão preventiva decretada e se apresentou no dia 13 de outubro do ano
passado. O ex-governador Siqueira Campos, também é alvo. No ano passado
foi levado para prestar depoimento na sede da PF, em Palmas.
Segundo o superintendente regional da PF no Tocantins, Arcelino Vieira,
os núcleos eram formados com a intenção de fraudar e burlar a
fiscalização de forma a conseguir lucrar com os serviços, que muitas
vezes não eram executados.
"O núcleo político era composto por pessoas que compunham o alto
escalão do Estado, dois ex-governadores [Sandoval Cardoso e Siqueira
Campos] que, através de contratos com Banco do Brasil, conseguiram
empréstimos internacionais", disse.
O superintendente explicou que os empréstimos estavam fundamentados em
uma lei estadual, a qual também autorizou o estado a criar um comitê
executivo que gerava os recursos e os distribuía para várias secretarias
estaduais. Uma delas era a Secretaria de Infraestrutura (Agetrans) que
fazia a licitação e o acompanhamento de todas as obras.
Segundo a investigação da PF, os recursos adquiridos através de três
linhas de crédito somavam R$ 1,2 bilhão. Deste valor, a Agetrans ficou
com R$ 850 milhões para investir em obras nas rodovias, mas os contratos
receberam aditivos que se computados, ultrapassariam R$ 1 bilhão.
"Os editais eram recheados de cláusulas restritivas à concorrência que
favoreciam empresários do grupo. Ao final se constatou que havia ajuste
de preços para dividir o lote entre seis empresas. Está bem clara a
existência de um cartel para o fim de fraudar as licitações e desviar
dinheiro público federal", explicou o procurador da república José
Ricardo Teixeira.






