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ELEIÇÕES 2014: O ARRANJO POLÍTICO DO DISTRITO FEDERAL CONTINUA DESGOVERNADO

O recente anúncio de algumas pré-candidaturas ao Buriti, diferentemente do que se imaginava, não foi suficiente para provocar o efeito “bússola” na política local. Ou seja, não foi bastante para determinar o norte do arranjo político para 05 de outubro.

O lançamento da chapa do ex-governador José Roberto Arruda, movimentou muito mais o ambiente judiciário do que efetivamente o universo político partidário. Numa análise simplista, o ex-governador Arruda errou na decisão de definir, de forma imperial e açodada, o corpo de sua chapa majoritária, não promovendo, portanto, o amplo e necessário debate com aquelas forças políticas que outrora colaboraram em sua trajetória política.

Diferentemente da realidade política de 2006, onde o arrependimento público pelo episódio da violação do painel do senado serviu de aditivo para emocionar uma população inteira, o transformando na maior certeza eleitoral de então, a candidatura de Arruda representa atualmente uma grande dúvida, quer seja sob o aspecto legal, quer seja pela capacidade de convencer o eleitorado de que suas virtudes gerenciais superam seus noticiados deslizes morais, e se esses mesmos deslizes ainda são merecedores de mais um perdão. Nesse contexto, a tarefa torna-se ainda mais complexa, na medida em que a associação dos nomes de Luiz Estevão e Gim Argello ao seu projeto eleitoral, tende a robustecer a sensibilidade de julgamento da população.

Num outro campo político, a pré-candidatura do Senador Rodrigo Rollemberg não parece empolgar, nem mesmo depois do tumultuado apoio oferecido pelo Deputado Reguffe. Aliás, o fato de Reguffe ter manifestado seu apoio a Rollemberg sem debater com a cúpula pedetista local e nacional, provocou um tremendo mal estar na legenda, sendo cedo ainda para garantir que, mesmo com a aquiescência do partido a sua decisão, a coligação se concretize de fato. A verdade é que a aliança entre PDT e PSB se começou, começou muito mal. E isso é inquestionável.

Outro fator que tem impedido o avanço da pré-candidatura pessebista, é o auto-exílio em território exclusivamente intitulado esquerdista, que Rollemberg impôs à sua candidatura.  A estratégia se mostrou até agora equivocada, até porque o PSOL de Toninho, principal representante da chamada “esquerda”, foi o primeiro partido a rechaçar a aliança. Portanto, as barreiras criadas pelo senador Rodrigo Rollemberg para uma possível ampliação do espectro partidário que poderia se reunir em torno de sua candidatura, prejudica o entendimento de que seu projeto político é realmente para valer, ou se é apenas um exercício preparatório para a disputa do senado em 2018, quando vence o seu atual mandato. 

Essa tese tem ganhado corpo nos bastidores da política local, tendo em vista que os movimentos de Rollemberg estão destoando completamente do esforço que Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, tem feito para turbinar o seu palanque presidencial com o maior número de partidos possíveis.

No meio de tudo isso, finalmente o PSDB decidiu entregar ao deputado Luiz Pitiman a tarefa de arrumar o palanque de Aécio Neves no DF, e se possível também de se viabilizar como alternativa eleitoral ao Buriti. Pitiman tem demonstrado ser um homem paciente e perseverante, como tão bem ficou evidenciado no decorrer da longa batalha que se travou no tucanato local pela vaga de pré-candidato ao Buriti. Entretanto, essas qualidades não bastam para que Pitiman consiga mexer com a vontade do eleitorado a seu favor. Caberá a ele recuperar o tempo perdido e buscar o entendimento com outras siglas, dentre elas o PPS da deputada Eliana Pedrosa, cuja candidatura ao Buriti está consolidada e já em total sintonia com o Solidariedade de Augusto Carvalho e o DEM de Alberto Fraga. 

Caso esse entendimento avance no sentido da formação de uma nova frente, ampliada e fortalecida também com a presença do PSD do ex-governador Rogério Rosso, não restam dúvidas de que se veja construída uma poderosa via política à disposição do eleitorado do Distrito Federal, capaz de empolgar a frente evangélica e balançar as estruturas do edifício partidário do governador Agnelo Queiroz.

Guardian Notícias
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