Brasileiros vítimas de tortura no Chile reclamaram da omissão das autoridades diplomáticas nacionais e alertaram para o fato de agentes do Brasil terem ensinado técnicas de tortura e interrogatório aos chilenos. Os ex-presos políticos foram detidos no Estádio Nacional, em Santiago, transformado em campo de concentração de prisioneiros políticos após o golpe que derrubou o presidente Salvador Allende, em 1973.
Eles participaram, na manhã desta segunda-feira (14) de uma audiência da Subcomissão da Memória, Verdade e Justiça do Senado para esclarecer ações ilegais de integrantes da polícia política brasileira. Segundo os convidados, após o golpe no Chile, uma das primeiras providências dos militares foi perseguir estrangeiros, que passaram a ser considerados inimigos do regime, inclusive aqueles que não estavam ligados a nenhuma atividade política.
– Temos informações de que o Ministério das Relações Exteriores e a embaixada brasileira sabiam da situação, só que eles estavam atrelados à ditadura e não à proteção de seus cidadãos. Eles estavam lá para ensinar os chilenos a torturar.
Entre os brasileiros presos, havia pessoas que não tinham nada a ver com atividade política e não receberam atenção nenhuma do governo brasileiro – afirmou o ex-preso e advogado Vitório Sorotiuk, que entregou à Subcomissão um documento do Ministério das Relações Exteriores com uma lista de nomes de torturados no Estádio Nacional. - Se alguém ainda tem dúvidas a esse respeito, basta assistir ao documentário da diretora chilena Carmen Luz Parot, intitulado Estádio Nacional, de 2002, em que ela revela que os verdugos chilenos receberam a assessoria de militares brasileiros. E essa assessoria não foi apenas para ensinar como é que se torturava.
Eles também levaram equipamentos elétricos de tortura que não existiam no Chile – relatou Vitório. O presidente da Subcomissão, senador João Capiberibe (PSB-AP), disse que vai apresentar requerimento ao Ministério da Defesa solicitando os nomes de todos os oficiais das três armas que estiveram no Chile naquele período e também para o Ministério das Relações Exteriores, com os nomes de diplomatas e cônsules que atuaram na época.
Na opinião dele, as Forças Armadas precisam reconhecer seus erros e pedir desculpa à sociedade brasileira. A deputada Janete Capiberibe (PSB-AP) afirmou que Chile, Argentina e Uruguai, ao contrário do Brasil resgataram a verdade e não absolveram os criminosos ditadores. Ela pediu a mudança na Lei da Anistia, editada em 1979 para perdoar crimes políticos cometidos entre 1961 e 1979, período que inclui a ditadura militar.
Agência Senado








