
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que
a eleição atual é a mais difícil da história do PT desde a fundação do
partido em 1980 e pediu que a militância petista se mobilize para
impulsionar a presidente Dilma Rousseff em São Paulo.
Em discurso
durante plenária do PT para mobilizar a tropa nos últimos 30 dias antes
da eleição, Lula disse ser "uma questão de honra para nós" que Dilma
vença Marina no Estado. As últimas pesquisas mostraram a presidente bem
atrás da candidata do PSB em terras paulistas.
O ex-presidente
também disse que não tem "divergências pessoais" com Marina, que foi sua
ministra de Meio Ambiente, mas cutucou o programa de governo da
adversária.
"Não existe do ponto de vista sociólogico... nenhuma
explicação para a Dilma estar perdendo a eleição aqui em São Paulo",
disse Lula, que avaliou que ainda levará muito tempo para que sociólogos
e especialistas entendam o "fenômeno" que aconteceu na disputa
presidencial deste ano após a morte de Eduardo Campos, que era o
candidato do PSB ao Planalto.
"Falta discutir política... nós precisamos debater", pediu ele aos militantes.
Lula,
que disse estar "destrinchando" o programa de governo apresentado por
Marina no fim de agosto, fez críticas às propostas defendidas por sua
ex-ministra e disse ter dúvidas se ela tinha lido o programa.
"Eu
sinceramente não sei se a companheira Marina leu o programa que fizeram
para ela", disparou. "Se ela leu, ela não aprendeu nada com as
discussões que nós tivemos", emendou,
Os principais pontos do
programa marineiro criticados por Lula foram a defesa da redução do
papel dos bancos públicos, a intenção, segundo ele, de Marina reduzir
investimentos no pré-sal e a defesa da institucionalização da autonomia
do Banco Central.
"O que a elite brasileira quer é que a gente se
eleja presidente para a elite governar", disse Lula ao comentar a
proposta de autonomia formal do BC defendida por Marina,
Antes do
discurso de Lula, outros petistas que usaram o microfone também atacaram
Marina por sua defesa da institucionalização da autonomia do BC.
O
prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, por exemplo, disse que no PT,
quando um banqueiro quer discutir política com o partido, tem de fazer
numa plenária como a realizada nesta sexta e que os petistas não vão
deixar que um banqueiro redija "o nosso programa de governo".
Já o
presidente do PT, Rui Falcão, disse que o partido jamais daria um
"cheque em branco ao Banco Itáu". Os dois se referiam ao fato de Neca
Setúbal, uma das herdeiras do Itaú Unibanco , ser uma das coordenadoras
do programa de governo de Marina.
Em seu discurso, Lula disse que
não falaria sobre o candidato do PSDB, Aécio Neves, atualmente numa
distante terceira posição nas pesquisas, enquanto Dilma e Marina
disputam a liderança no primeiro turno.
Mas não perdeu a chance de
ironizar a entrevista dada pelo tucano ao Jornal da Globo nesta semana,
na qual o tucano repetiu diversas vezes que era preciso ter
"previsibilidade".
"Ele falou, acho que umas 200 vezes, a palavra
previsibilidade. Todas as perguntas que faziam para ele, ele falava 'é
preciso ter previsibilidade'. Mas e a seleção brasileira?
Previsibilidade", ironizou.
Para Lula, apesar de Aécio gostar
tanto de previsibilidade, quando os tucanos governaram "acabaram com o
país", numa crítica ao governo do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso quando o Brasil teve de recorrer ao Fundo Monetário
Internacional.
Por Eduardo Simões
SÃO PAULO (Reuters)






