
O nome do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi
mencionado pelo ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, em
depoimento prestado à Justiça na tentativa de conseguir o perdão
judicial por meio da delação premiada. O peemedebista também foi citado
por outros colaboradores da Justiça flagrados na Operação Lava Jato.
Um
dos negócios mencionados supostamente envolvendo Renan é um acerto com o
doleiro Alberto Youssef para que o fundo de pensão dos Correios, o
Postalis, comprasse R$ 50 milhões em debêntures (um título que confere a
seu detentor um direito de crédito contra a companhia emissora)
emitidos da Marsans Viagens e Turismo, que tinha Youssef como um dos
investidores.
Segundo o relato de um colaborador ao Ministério
Público Federal no Paraná, o doleiro teria se reunido com Renan, em
Brasília, no início de março, para acertar a comissão do PMDB nesse
negócio. O negócio não ocorreu porque Youssef e Paulo Roberto foram
presos antes. A Marsans fechou seus escritórios e pediu recuperação
judicial após as prisões.
O fundo de pensão dos Correios é
controlado pelo PMDB e PT. Em julho, os quatro integrantes da cúpula do
Postalis tiveram sua exoneração pedida por dois conselheiros. A acusação
é que a interferência dos partidos políticos no Postalis levou a
“operações suspeitas” que explicam o rombo de R$ 2,2 bilhões acumulado
de 2013 a junho de 2014.
Procurada na tarde desta sexta-feira, 5, a
assessoria de Renan Calheiros afirmou que não localizou o senador para
comentar o assunto até o fechamento desta edição. O Estado também tentou
falar com o senador pelo celular, mas o aparelho estava desligado.
As
investigações também revelaram que um apadrinhado de Renan tinha
contato com Paulo Roberto. Na agenda e cadernos de anotação do
ex-executivo, quando este já havia deixado a Petrobrás e operava
negócios na iniciativa privada, o nome do presidente da Transpetro,
Sérgio Machado, constava quatro vezes em anotações nos anos de 2012 e
2013.
A Transpetro é o braço da Petrobrás em processamento de gás
natural e transporte e logística de combustível. Indicado para o cargo
ainda no governo Luiz Inácio Lula da Silva, Sérgio Machado se mantém há
dez anos e quatro meses no posto com o apoio de Renan. Na agenda de
Paulo Roberto há registros da anotação de celulares de Machado e de uma
menção a "curso c/ Sérgio Machado, 5%", ao lado do valor R$ 5 mil e da
inscrição "dois meses". A PF tenta decifrar a anotação. Em julho de
2012, Paulo Roberto, já ex-servidor da estatal, chamou a atenção ao
comparecer a uma cerimônia de entrega do navio petroleiro Sergio Buarque
de Holanda para a Transpetro.
Deputados. As investigações da Lava
Jato pela Polícia Federal apontaram nomes de vários parlamentares e
partidos supostamente envolvidos no esquema de corrupção. Entre eles, o
tesoureiro do PT, João Vaccari, os deputados André Vargas (sem
partido-DF), Luiz Argôlo (SD-BA) e o senador Fernando Collor (PTB-AL).
Todos negam envolvimento em esquema de propina, mas não que tenham
relações com o ex-diretor.
Por causa do envolvimento dos
parlamentares, o depoimento de Paulo Roberto será encaminhado para à
Procuradoria Geral da República ao final para ser submetido ao Supremo
Tribunal Federal (STF), que decidirá sobre a validade da delação. O
procurador-geral, Rodrigo Janot, acompanha com atenção o acordo de
delação premiada que está sendo feita por Paulo Roberto Costa a colegas
da força-tarefa da Procuradoria da República no Paraná que cuidam do
caso. A reportagem apurou que Janot já foi informado da menção de
autoridades com foro privilegiado nos depoimentos que estão sendo dados
por Costa diariamente.
MSN






