
Aos gritos de "Vá para casa" e
"Ebola", duas crianças senegalesas estão sendo hostilizadas em uma
escola no Bronx, distrito de Nova York, nos Estados Unidos. A denúncia
partiu do pai das crianças, Ousmane Drame, 62, que pediu providências da
escola ao encontrar um dos filhos apanhando de colegas.
Seus
filhos Pape e Amadou Drame, com 13 e 11 anos, foram atacados na semana
passada, um deles com um soco no rosto, e o outro com xingamentos,
segundo o pai, que é motorista
de táxi.
"Meu nome não é ebola, é Amadou", disse o mais novo antes de ser atacado.
"Fui chamado à escola, que me informou que tinham batido em meus
filhos. [...] Corri para lá e vi meus filhos muito machucados. Amadou
estava chorando, deitado no chão, com mais de dez crianças em cima dele,
batendo".
Os meninos ficaram em silêncio enquanto o pai relatava o ocorrido.
Líderes comunitários locais e funcionários da escola pediram aos pais
dos alunos para conversarem com seus filhos sobre tolerância.
Drame, que vive em Nova York há 25 anos, disse que não era essa a lição
que ele tinha em mente quando trouxe os filhos para os EUA para dar-lhes
uma educação melhor.
Ele conta que os meninos foram impedidos
de fazer atividades físicas com outros alunos por dois dias, para que
não tivessem contato com eles.
"Se eles vão ao ginásio, eles dizem 'você não joga; não toque na bola. Você tem ebola, sente-se ali'".
Pape, estudante da oitava série, pediu ao pai para mandá-lo de volta ao
Senegal para não ter de suportar as surras frequentes na escola.
"Não é só com eles que isso acontece. Todas as crianças africanas
sofrem com isso. Passei sete anos na faculdade. Eu fui para a escola
toda a minha vida. Eles nasceram na família de um professor. Eles têm
que ir para a escola", disse Drame.
A Secretaria de Educação de
Nova York informou em um comunicado que está investigando o incidente e
que leva o assunto "muito a sério".
"Não vamos tolerar a
intimidação ou bulliyng de nossos alunos, especialmente neste momento em
que os nova-iorquinos precisam se unir".
Guiné, Serra Leoa e
Libéria, países da África ocidental, vivem epidemia de ebola, que já
deixou mais de 4.900 mortos e infectou mais de 10 mil pessoas. O Senegal
notificou um caso da doença, importado da Guiné, mas atualmente não há
casos relatados do vírus no país. UOL






