
A Secretaria de Segurança Pública de Goiás deflagrou uma operação, na
manhã desta quarta-feira (29), para prender policiais civis, militares e
outros suspeitos envolvidos com o tráfico de drogas. Segundo o
secretário Joaquim Mesquita, eles cometeram uma série de crimes em
Anápolis, a 55 km de Goiânia. "Em função da disputa por espaço e poder
do tráfico de drogas, diversos crimes como homicídios, sequestros,
extorsões, lesões corporais e ameaças foram praticados", explicou em
entrevista coletiva.
Denominada Operação Malavita, a ação é desenvolvida em conjunto pelas
polícias Civil e Militar. São cumpridos 39 mandados de busca e apreensão
e 23 mandados de prisão temporária em Anápolis, Alvorada do Norte
e Luziânia. Até o final desta manhã, já haviam sido cumpridos 13 dos 14
mandados de prisão contra militares; quatro dos cinco mandados contra
policiais civis; e três dos quatro mandados contra outros suspeitos.
Cerca de 200 policiais participam da operação, que conta com o apoio da Força Nacional, do Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO)e do Poder Judiciário. Apesar das prisões em Alvorada do Norte e Luziânia, a polícia acredita que os servidores não cometiam delitos nestes municípios. Eles foram presos essas localidades porque haviam sido transferidos para trabalhar nessas cidades. Entre os objetos apreendidos estão armas e veículos.
Investigação
Os crimes eram praticados desde 2011. O delegado geral da Polícia Civil
de Goiás, João Carlos Gorski,explicou que a suspeita do envolvimento de
policiais começou após a análise de crimes ocorridos em Anápolis. “A partir dos crimes investigados, começaram a surgir indícios da participação de agentes públicos nesses atos”, disse.
De acordo com Gorski, os policiais detidos não comandavam o tráfico de
drogas, mas eram aliciados pelos líderes. Segundo Joaquim Mesquita, há
fortes indícios e provas da participação dos policiais nos atos
criminosos. A quantidade de delitos cometidos pelos suspeitos não foi
informada, pois os dados só serão repassados após o fim da operação.
Autoridades explicam operação responsável pela
prisão de policiais (Foto: Paula Resende/ G1)
prisão de policiais (Foto: Paula Resende/ G1)
O comandante da Polícia Militar de Goiás, coronel Sílvio Benedito
Alves, informou que os militares investigados são dois capitães e 12
praças. A identidade deles não foi confirmada, mas, segundo o
comandante, alguns deles já eram suspeitos de outros crimes anteriores.
“Alguns já respondiam por desvio de conduta e cumpriam penas
administrativas”, disse.
Joaquim Mesquita informou que, com o andamento da investigação, pode-se
chegar a outros agentes públicos envolvidos com os crimes. O secretário
reforçou que a situação “não se enquadra” a existência de um grupo de
extermínio.
A Secretaria de Segurança Pública reformou que os envolvidos serão
devidamente punidos. “Eles serão processados penalmente e
disciplinarmente. Isso não representa a instituição, representa uma
margem muito pequena dos agentes, vamos cortar na própria carne, não
aceitamos desvio de conduta”, afirmou Mesquita. (Do G1 TO)






