
Cláudio nasceu com artrogripose, um problema raro que faz com que seus ossos se fundam e ganhem um formato curvo e contraído.
O documentário, produzido e apresentado pelo jornalista Gibby Zobel,
lembra a trajetória de Cláudio e conta como, ao nascer, a família
recebeu a orientação de não alimentá-lo. Ele só foi salvo por
intervenção de seu pai.
Maria José, mãe de Cláudio e de outros cinco filhos, conta que "o parto foi muito difícil".
— Não havia hospital aqui na época. O médico achou que ele fosse morrer
em poucas horas, porque sua respiração era muito fraca. Eu não o havia
visto de imediato. Horas depois, o médico me contou sobre sua
deformação. Não vou negar que chorei. Chorei muito. Chorei por três
dias.
O pai de Cláudio, no entanto, aceitou o filho imediatamente, conta Maria José.
— O pai dele disse: Não. Ele é meu filho. Ele tem que ser alimentado!
Eles fizeram uma mamadeira e alimentaram. Ele foi melhorando,
melhorando, começou a se alimentar normalmente e hoje está aí!
Adaptação do corpo
O documentário mostra como Cláudio, que tem o pescoço virado para trás,
vive da maneira mais independente possível. Para usar o computador, por
exemplo, ele usa o queixo e a língua para operar o mouse.
— Muita gente imagina que, por causa da minha deformação, eu enxergue
as coisas de cabeça para baixo, mas eu enxergo normalmente.
A mãe de Cláudio lembrou o orgulho que sentiu quando seu filho se formou em contabilidade.
— Quando o chamaram para receber o diploma, foi muito emocionante. Não
esperava que ele fosse alcançar tanto. Achei que fosse tomar conta dele
pelo resto de minha vida, mas acho que é o contrário. Eu dependo mais
dele do que ele de mim.
O pai de Cláudio não viveu para ver aonde o filho chegou. Ele faleceu
quando a mãe estava grávida de sete meses da filha caçula, Taís, que
veio depois de Cláudio.
Na época em que o documentário foi gravado, Cláudio se preparava para mais uma viagem aos Estados Unidos.
— Isso começou em 2000, quando saí da minha cidade no sertão para ir a
outra cidade. Minha primeira palestra foi em uma igreja. Estava muito
nervoso. Havia mais de 200 pessoas lá e nunca tinha falado em público.
Mas Deus foi maravilhoso e tudo correu bem.
Das palestras que fez recentemente em terras norte-americanas, o baiano
diz que gostou especialmente de uma que fez em um centro para
recuperação de dependentes químicos.
— Tenho certeza de que consegui transformar vidas.
Ele está de malas prontas para uma próxima viagem.






