
Burlar as leis na Inglaterra é algo que pode acabar
saindo caro. Um banqueiro de Londres que passou anos dando um 'jeitinho'
para não pagar a tarifa correta do trem que o levava até o centro
financeiro foi banido de sua profissão pelas irregularidades cometidas.
Jonathan Paul Burrows era diretor da BlackRock, uma das maiores gestoras
de fundos de investimentos do mundo, e foi pego por funcionários do
trem na estação Cannon Street – localizada bem no centro financeiro de
Londres – confessando ter feito o percurso sem pagar os £21,50 (R$ 92)
referentes à taxa do trem saindo de Stonegate, no condado de East
Sussex, no sudeste da Inglaterra – uma viagem de cerca de 1h30 de trem.
"Burrows admitiu que, em diversas ocasiões, de forma deliberada e
consciente, ele deixou de comprar um tíquete válido para cobrir todo o
seu percurso", disse a Financial Conduct Authority (FCA), o órgão que
regula os mercados no Reino Unido.
No total, os valores não pagos por
Burrows no trem somam cerca de £42.550 (R$ 183.309), segundo as
estimativas do FCA. "Como Burrows tinha uma posição importante na
indústria de serviços financeiros e uma pessoa correta, ele deveria ser
um exemplo para os outros e sua conduta caiu muito abaixo do padrão
esperado para alguém nessa posição", acrescentou a organização.
O
banqueiro até pagava uma taxa do trem, mas fazia um esquema para não
pagar todo o trajeto percorrido. Para isso, ele embarcava na estação
Stonegate – uma estação sem catracas localizada em uma área rural – sem
comprar uma passagem. Chegando a Londres, ele saía pelas catracas da
estação Cannon Street usando o cartão de transporte londrino (Oyster
Card), que apenas cobrava o percurso dentro da cidade – uma taxa de, no
máximo, £7,20 (R$ 31).
'Fui um idiota' - Por
ter burlado a lei, o banqueiro Jonathan Burrows estrá proibido de
trabalhar no mercado financeiro da Inglaterra e teve de devolver o
dinheiro não pago nas passagens de trem mais £ 450 em custos legais – no
total, foram £ 43.000 (R$ 185.295). Em resposta à decisão da FCA, ele
disse: "Sempre reconheci que o que eu fiz foi idiota. Eu pedi desculpas
para todas as partes envolvidas e reiterei meu pedido de desculpas
publicamente."
No entanto, ele acrescentou que "o tamanho da punição
acordada poderia levar a uma perepção distorcida sobre o tamanho do erro
cometido por ele." "Ao mesmo tempo que respeito a decisão da FCA hoje,
eu também me arrependo, já que ela veio manchar uma carreira de 20 anos
fazendo tudo da maneira correta". "Eu reconheço que a FCA tem erros
maiores do que o meu para avaliar no setor dos serviços financeiros e eu
peço desculpas que o meu caso tenha tomado o tempo deles nesse momento
de conjuntura crítica sobre o futuro do centro financeiro e da sua
reputação." (Terra)






