
Na última semana, o parlamentar, um dos únicos a comparecer a todas as
sessões do mandato, apresentou projeto que institui a política nacional
de redução de perdas e desperdício de alimentos. Na
justificativa, usou tom emocional, lembrou sua história e citou até uma
paródia que costuma cantar para sensibilizar os colegas.
O projeto de
Tiririca propões princípios, objetivos, metas e ações a serem adotados
pelo governo federal em cooperação com Estados, municípios e iniciativa
privada, de modo a maximizar o aproveitamento para consumo humano dos
alimentos no país.
Entre as ações, defende que se
conscientize as pessoas e se faça investimentos sobre os impactos do
desperdício, a elaboração de iniciativas que tenham por finalidade a
redução das perdas. Isso inclui, por exemplo, a inserção do tema no
conteúdo programático do ensino fundamental, de disciplinas relacionadas
à educação alimentar e nutricional, e a conscientização quanto aos
aspectos sociais, ambientais e econômicos relacionados às perdas e ao
desperdício.
A política nacional versaria também sobre a capacitação de
pessoal para produção, colheira, processamento, transporte,
armazenamento e comercialização e a pesquisa científica que
contribuíssem para reduzir as perdas.
Na
justificativa, Tiririca lembra estimativa da O Organização das Nações
Unidas para a Fome e a Alimentação (FAO) de que a terça parte de todo o
alimento produzido no mundo se perde ou é desperdiçada, provocando
imenso impacto negativo sobre a economia global, a oferta mundial de
alimentos e o meio ambiente. “Uma das coisas mais tristes e vergonhosas
que acontecem todos os dias é o desperdício de toneladas e toneladas de
alimentos, enquanto muitos não têm o que comer”, diz o parlamentar no
texto.
Tiririca destaca que foi menino pobre, cita a vida de humorista e
resumiu: “Grandes humoristas brasileiros e de todo o mundo, que sempre
me inspiraram, têm demonstrado rara capacidade de produzir humor nas
mais variadas situações e até ajudado a amenizar a dor de crianças que
sofrem com graves enfermidades, internadas em hospitais.
No entanto, há
coisas que definitivamente não têm graça, como a miséria e a fome”. Ao
encerrar a justificativa, Tiririca volta a tratar de sua origem nos
palcos. “Sem fome e sem miséria, muitos brasileiros que hoje enfrentam
dificuldades poderão, de fato, perceber-se como cidadãos; bem
alimentados, poderão aproveitar melhor a vida e, entre outras coisas,
divertir-se com as pilhérias dos palhaços”, avalia, antes de citar uma
paródia que costuma cantar nos palcos.
Assim ele conclui: "Não se admire
se um dia menino de rua invadir a porta da sua casa, pegar alimento e
fugir. Não condene esse menino, não chame ele de ladrão que leva sol e
chuva e ainda dorme no chão.
Mas se você parar pra pensar e prestar bem
atenção ’cê pode ajudar e tirar ele do chão. Já sabendo disso tudo ele
vai lhe dar as mãos. É a nossa obrigação: ajudar nossos irmãos!" (iG)






