
Alvo de críticas por parte de movimentos sociais e de ambientalistas,
sob o argumento de agir em favor dos interesses dos ruralistas, a nova
ministra da Agricultura, senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), disse que "nem
Jesus Cristo agradou todo mundo". A declaração também foi uma resposta a
críticas de petistas à parlamentar.
"Nós vivemos numa democracia, nem Jesus Cristo agradou todo mundo. E
eu também não pretendo. A unanimidade é burra. Estou acostumada com
democracia e as críticas, e sou tolerante a todas elas", afirmou a
peemedebista, nesta quinta-feira (1), na chegada ao Congresso Nacional
para a posse da presidente Dilma Rousseff (PT).
De acordo com a nova ministra, sua atuação no comando da pasta será
marcada pelo diálogo. Kátia afirmou que ouvirá todos os setores e
permitirá a participação da iniciativa privada.
"Eu sempre digo que se o ministério não atrapalhar, o agronegócio vai
bem, obrigada. Tenho que me esforçar para que o ministério não
atrapalhe. Temos que facilitar a vida do produtor e não criar
dificuldade", disse.
Com origem política nos movimentos sociais que lutam pela reforma
agrária, o ex integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST), deputado federal Valmir Assunção (PT), classificou Kátia Abreu
como "porta-voz do latifúndio" a um site baiano.
"A indicação da senadora para o cargo, que não teve o apoio total nem
do seu próprio partido (o PMDB), é o símbolo do combate à reforma
agrária, do ataque ao território indígena e quilombola, da legislação
que preserva o meio ambiente. A nomeação dela é um retrocesso", disparou.
Quem também já disparou críticas contra a senadora foi o coordenador
nacional do MST, Alexandre Conceição, após o encontro com a presidente
Dilma, na primeira quinzena de dezembro passado. "Kátia Abreu representa
o agronegócio, o atraso, o trabalho escravo. E representa,
principalmente, em seu Estado a grilagem de terra", disse Alexandre
Conceição, coordenador nacional do movimento, após o encontro.
Do Tocantins 247






