
Após se despedir da Petrobras na sexta-feira, Graça Foster optou
pela reclusão. No final de semana, decidiu permanecer em casa e não foi
vista cumprindo rotinas tradicionais, como a caminhada diária e a missa
de domingo.
Procurada neste domingo, 8, pelo Broadcast, serviço de notícias em
tempo real da Agência Estado, Graça não quis comentar a atual situação
da estatal e os episódios que culminaram em sua renúncia e de cinco
diretores. "Vida que segue. Não quero falar sobre isso", limitou-se a
afirmar.
Seu último ato na companhia foi apresentar ao conselho de
administração o nome de quatro diretores que assumiram interinamente. Os
executivos são nomes de confiança dos ex-diretores e agora serão
responsáveis pela transição entre a atual e antiga gestão.
Já o anúncio de Aldemir Bendini, para a presidência, e de Ivan
Monteiro, para a diretoria financeira, foi feito durante a reunião pelo
presidente do conselho, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
Uma fonte presente ao encontro de sexta-feira lembra que Graça
participou pouco, via videoconferência. A intenção inicial era fazer um
longo discurso de despedida, um desabafo da funcionária de carreira que
começou na estatal como estagiária e chegou à chefia máxima da
petroleira em 2012. O discurso não foi lido até o fim.
Com a voz
embargada, Graça desistiu ainda nos primeiros parágrafos.
Ela e os demais diretores que renunciaram aos cargos permaneceram no
Rio de Janeiro, na sede da empresa. Mantega e os demais conselheiros
estavam reunidos em São Paulo.
A aprovação da nova diretoria era o último ponto da pauta a ser
debatido. Mas acabou antecipada depois que os conselheiros
independentes, representantes dos acionistas minoritários e empregados,
foram surpreendidos com a notícia divulgada na imprensa de que Bendine
seria o novo presidente.
Os conselheiros independentes vinham sendo acusados pela diretoria da
Petrobras de vazarem informações divulgadas durante a reunião. Ao lerem
em sites o nome do novo presidente, que havia sido escolhido no dia
anterior em encontro do qual participaram exclusivamente os conselheiros
representantes da União, protestaram e acusaram o Planalto de vazar a
informação.
A resposta de Mantega foi que a notícia era um "chute" da
imprensa.
Aprovada a nova diretoria da Petrobras, a equipe anterior se desligou
completamente da empresa e permanece em casa. No sábado, em seu
primeiro dia de ex-presidente da Petrobras, Graça se manteve reclusa em
sua residência, em Copacabana, zona sul do Rio.
Garçons do bar instalado em frente à residência de Graça contaram
que, por volta das 7 horas da manhã, ela era vista retornando da
caminhada diária, acompanhada de seguranças, mesmo nos finais de semana.
Mas, naquele dia, não tinham visto aquela que apelidaram de "madrinha",
por causa da sua influência.
Também os dois carros que permaneciam nas duas esquinas em frente ao
edifício enquanto a ex-presidente da Petrobras estivesse em casa,
naquele sábado pós-renúncia, não estavam lá. Apenas o motorista de Graça
apareceu por volta de meio dia para deixar na portaria uma caixa de
papelão e uma sacola com a marca da Petrobras.
Nem mesmo na igreja Graça apareceu no domingo. Ela costuma frequentar
a missa das 18 horas, na Paróquia São Paulo Apóstolo, próxima à sua
residência. Mas, ontem, não compareceu.
Fonte: Estadao Conteudo






