
Vivem-se tempos bicudos. Uma das características contemporâneas é o
da implosão do poder, tanto o político, como da mídia, das grandes
corporações, dos sindicatos.
A Internet produziu um estilhaçamento geral nas formas tradicionais
de organização social. E, antes do aparecimento da nova ordem, deixa um
caos instalado, do qual a representação mais óbvia é eleição de Eduardo
Cunha para presidente da Câmara, com apoio total dos grandes grupos de
mídia.
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Para garantir a eleição de Cunha, os jornalões e as emissoras de TV e
rádio esconderam de seus espectadores as seguintes informações:
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No STF (Supremo Tribunal Federal), pelo menos vinte e dois processos têm Eduardo Cunha como parte.
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Dentre esses processos, há três inquéritos (2123, 2984 e 3056) para
apurar possíveis crimes cometidos por Cunha quando presidente da
Companhia de Habitação do Estado do Rio de Janeiro (CEHAB-RJ) entre 1999
e 2000.
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Cunha tornou-se sócio do deputado Federal Francisco Silva (PRN), da
bancada evangélica na rádio Melodia. Juntos foram acusados de
participação no escândalo das notas fiscais falsas para sonegação de
ICMS por parte da Refinaria de Manguinhos.
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O inquérito 2984 apura uso de documentos falsificados, inseridos em
processo do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, para
conseguir o arquivamento de inquérito aberto contra Cunha. O
ex-subprocurador-geral Elio Gitelman Fischberg, que participou da
falsificação, perdeu o cargo e foi condenado 3 anos e 11 meses de
prisão. O STF autorizou abertura de processo contra Cunha, que corre em
segredo de Justiça.
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O primeiro inquérito contra Cunha ocorreu no bojo das ações contra PC Farias. Cunha era o braço de PC na Telerj.
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Em 2000, um ano antes de assumir mandato como deputado estadual pelo
Rio de Janeiro, Cunha teve seu nome envolvido problemas com o fisco. A
Receita Federal detectou incompatibilidade entre a movimentação
financeira do deputado e o montante declarado ao Imposto de Renda.
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Foi acusado de ligações com o doleiro Lúcio Funaro, investigado pela
CPI dos Correios. Segundo reportagem da revista Época, Funaro pagava o
aluguel do deputado em um luxuoso flat em Brasília.
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No mesmo ano, época em que ocupava o cargo de vice-presidente da CPI
do Apagão Aéreo, Cunha foi acusado pela deputada estadual Cidinha Campos
(PDT-RJ) de realizar operações com o traficante colombiano Juan Carlos
Ramírez Abadía. Em discurso na Assembleia do Rio, a parlamentar acusou o
deputado federal de vender uma casa em Angra dos Reis por US$ 800 mil
e, pouco tempo depois, comprar de volta por US$ 700 mil.
- Em 2011, Cunha foi alvo de investigações da Controladoria-Geral da União (CGU), que apontou que Furnas, estatal do setor elétrico, cobriu prejuízos causados pela participação da Companhia Energética Serra da Carioca II (empresa ligada a Cunha) na sociedade montada para construir a Usina Hidrelétrica da Serra do Facão, em Goiás. Na época, Furnas tinha vários quadros da direção da empresa em mãos de pessoas ligadas ao próprio Eduardo Cunha. Os prejuízos da estatal ultrapassaram os R$ 100 milhões.IG\ Luis Nassif






