
A polícia do Paquistão está à procura de um jovem que matou
14 pessoas após não ter obtido permissão para se casar com uma moça numa
cidade do noroeste do país. Somente no domingo, ele fuzilou a noiva, os
sogros e outros sete parentes dela. No fim do ano passado, ele já havia
matado seus próprios pais, seu irmão e também a cunhada.
Identificado como Gul Ahmad Saeed, de 25 anos, ele teria atirado domingo
após parte da família da noiva se opor novamente ao casamento.
Ele teve
ajuda de cúmplices na matança, informaram policiais ontem. A gota
d’água para o jovem teria ocorrido depois que um tio da noiva demonstrou
dúvidas sobre a permissão para o matrimônio. “O tio estava bastante
indeciso sobre o casamento, o que enfureceu Gul Ahmad”, disse o oficial
Mohammad Jamil a agências de notícias.
Gul
Ahmad Saeed estava foragido há seis meses, após as primeiras quatro
mortes. No fim de semana, voltou a sua cidade, com o objetivo de
continuar sua vingança. A polícia busca o rapaz e seus comparsas, mas
acredita que se refugiaram na região semiautônoma e conservadora de
Pashtun, na fronteira com o Afeganistão, onde o governo do Paquistão tem
pouco alcance e as autoridades policiais não têm sequer permissão legal
para atuar. “Não podemos seguir ninguém até lá, porque está além de
nossa jurisdição e nossa segurança estaria sob ameaça”, disse Jamil.
Mulheres paquistanesas frequentemente são
assassinadas por homens que se sentem ofendidos por recusas de casamento
e outros motivos. A Comissão Paquistanesa de Direitos Humanos estima
que, somente no decorrer do ano de 2013, 869 mulheres foram vítimas do
crime conhecido como ‘morte por honra’. Os assassinatos cometidos por
Saeed ocorreram numa região profundamente conservadora, onde as mulheres
são desencorajadas a frequentar escolas e universidades e têm poucas
opções quando o assunto é casamento. Por lutar contra o desrespeito aos
direitos de meninas e mulheres, a paquistanesa Malala Yousafzai, hoje
com 18 anos, foi baleada na cabeça em 2012, aos 15, por talibãs. Ela
ganhou o Prêmio Nobel da Paz e atualmente vive em Londres.






