
Os 35 acordos assinados nesta terça-feira (19) por representantes
dos governos do Brasil e da China durante cerimônia em Brasília abrangem
oito áreas e totalizam investimentos de US$ 53 bilhões. A presidente
Dilma Rousseff e o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, acompanharam o
evento, depois de uma reunião entre os dois no Palácio do Planalto. O Planalto dividiu os investimentos por áreas e setores.
Veja abaixo:
Veja abaixo:
Agricultura e pecuaria: Para
a carne bovina produzida no Brasil e comprada pela China, foi assinado
um protocolo de requisito de saúde e quarentena, além de um acordo de
cooperação sobre saúde animal e quarentena animal. De acordo com o
Ministério da Agricultura, esse acordo permite a oito frigoríficos
brasileiros exportar carne bovina para o país asiático.
Em
dezembro de 2012, após uma suspeita não confirmada de registro de mal
da vaca louca no Paraná. A China suspendeu a compra de carne do Brasil. O
embargo comercial foi suspenso em julho eretirado oficialmente em
novembro do ano passado, mas, para exportar, os produtores de carne
brasileiros necessitam de uma habilitação concedida pelo governo
chinês. Os países também fecharam nesta
terça-feira um acordo de cooperação trilateral entre o governo do estado
do Mato Grosso do Sul, o Banco de Desenvolvimento da China e o grupo
China BBCA sobre o processamento de milho e soja.
Petrobras:Dois
acordos de cooperação para financiamento de projetos da Petrobras somam
US$ 7 bilhões. Foi feito também um acordo de cooperação para a criação
de relacionamento de longo prazo. Entre os
acordos, há três com participação da Petrobras, que somam ao menos US$ 7
bilhões, segundo a Presidência da República. Um deles prevê cooperação
para financiamento de projetos da estatal no valor de US$ 5 bilhões.
O
presidente da petroleira, Aldemir Bendine, assinou o acordo com o
presidente do Conselho do Banco de Desenvolvimento da China, Hu
Huaibang. Outro acordo, no valor de US$ 2 bilhões,
assinado por Bendine e pelo presidente da companhia chinesa Cexim,
também prevê acordo de cooperação para financiamento de projetos da
companhia brasileira. O terceiro acordo não teve o
valor divulgado. Assinado por Bendine e pelo presidente do Banco
Industrial e Comercial da China (ICBC), Yi Huiman, o ato prevê
cooperação para o estabelecimento de “relacionamento a longo prazo”
entre as instituições.
Infraestrutura: Foi
assinado um contrato de afretamento entre a Vale e a China Ocean
Shipping Company (Cosco), uma empresa chinesa de transporte e logística.
Outro acordo envolvendo a Vale é sobre o transporte marítimo de minério
de ferro, com a empresa China Merchants Shipping.
Segundo
a mineradora brasileira, os dois acordos, que envolvem o Export-Import
Bank of China (Eximbank da China) “estabelecem as bases para cooperação
que visa a apoiar as parcerias entre a Vale e as duas empresas
chinesas”. “De acordo com os termos de cada
memorando, o Eximbank chinês pode fornecer uma linha de crédito de até
US$ 1,2 bilhão para a Cosco e China Merchants, respectivamente, para
facilitar a prestação de serviços de transporte marítimo de minério de
ferro pelas duas empresas à Vale”, diz a empresa.
Os países também
assinaram um memorando de entendimento com o objetivo de criar o Polo
Automotivo de Jacareí (SP), além de um acordo de cooperação para a
instalação de complexo siderúrgico no Maranhão. China
e Brasil assinaram também memorandos de entendimento sobre projeto de
compra de 14 navios de minério de ferro de tonelagem de 400 mil
toneladas, e de financiamento sobre projeto de compra de 10 navios de
minério de ferro de tonelagem de 400 mil toneladas. Outro prevê
aquisição de 4 navios da Class carregadores de minério de grande porte.
Transportes: China
e Brasil assinaram um memorando de entendimento sobre estudos de
viabilidade do Projeto Ferroviário Transcontinental, que prevê uma
ferrovia ligando o litoral do Brasil ao Peru. Foi
feito também um acordo de financiamento sobre a compra de 40 aeronaves
da Embraer, além de um contrato de financiamento leasing operacional
para a Azul Linhas Aéreas.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas
de Leasing (Abel), o leasing, conhecido no Brasil como arrendamento
mercantil, é um contrato cuja finalidade é ceder o uso de bens de
capital a outra empresa. Nesse tipo de negócio, o que gera rendimentos a
uma empresa é a utilização, e não a propriedade de um bem. A empresa
arrendatária passa então a fazer uso de um bem, mediante o pagamento de
contraprestações por um período determinado.
A
Azul Linhas Aéreas Brasileiras informou que o acordo de leasing tem o
valor de US$ 200 milhões, e foi fechado com o Industrial and Commercial
bank of China (ICBC) para o financiamento de oito aeronaves da Embraer,
modelo E195, com capacidade para até 118 assentos. "Do total, três
unidades são novas e fazem parte da atual encomenda da Azul com a
fabricante brasileira, as quais serão entregues ao longo deste ano.
A
outras cinco unidades já estão em operação na frota da companhia e serão
refinanciadas com o banco chinês", diz a Azul em nota. "Até o fim deste
ano, a Azul deve receber mais seis aeronaves do modelo E195,
totalizando 88 aviões da Embraer em sua frota."
Energia: Foi
firmado um acordo de conclusão de transferência de ações da empresa
EDPR para o Grupo Três Gargantas sobre projeto de energia eólica. China e
Brasil assinaram ainda um memorando de entendimento sobre cooperação na
área de tecnologia nuclear, e outro sobre cooperação em promoção de
comércio e investimentos para construção de painéis solares
fotovoltaicos.
Relações exteriores: Foram
assinados dois acordos nessa área. Um deles é um plano de ação conjunta
entre o governo do Brasil e o da China entre 2015 e 2021. O segundo é
um memorando de entendimento para implementação de projetos para
promoção de investimentos e criação de oportunidades de negócios entre
os dois países.
Comércio exterior: Foi
assinado um memorando de cooperação financeira global entre a Vale e o
Industrial and Commercial Bank of China Limited (ICBC) para oferta de
serviços financeiros no valor de US$ 4 bilhões. “Pelos termos do acordo,
o ICBC, um dos maiores bancos comerciais da China, poderá oferecer
linhas de crédito de até US$ 4 bilhões sob a forma de empréstimos
sindicalizados, empréstimos bilaterais, crédito à exportação, trade
finance, entre outros potenciais instrumentos financeiros”, informou a
assessoria de imprensa da Vale.
O acordo, com validade de três anos, foi
assinado pelo presidente da empresa brasileira, Murilo Ferreira, e pelo
presidente do ICBC, Yi Huiman. Foi firmado também
um contrato de compra e venda de ações do Banco BBM S.A, grupo
financeiro privado fundado em 1858 no Brasil, pelo Banco de Comunicações
da China. Foi feito também um acordo de cooperação para parcerias
preferenciais e acesso ao mercado brasileiro de capitais.
Comunicações: Nesta
área, foram 5 acordos assinados. O primeiro foi um memorando de
entendimento sobre sensoriamento remoto, telecomunicações e tecnologia
da informação. Outro acordo determina colaboração para financiamento e
operação de Projeto Free Wifi 4G. Foi assinado um
acordo entre a brasileira Vivo e a empresa de tecnologia chinesa Huawei
sobre o Projeto Tech City, para ampliação da cobertura e do sinal na
região do centro do Rio de Janeiro e na região do Porto Maravilha. A
Vivo não se pronunciou sobre o acordo. Além disso,
foram assinados um acordo sobre um centro conjunto de inovação na área
de telefonia celular e um memorando de entendimento de cooperação
estratégica em soluções fixas e móveis.
Meio ambiente: O
memorando de entendimento assinado pelos dois países acertou sobre
parceria privada para a elaboração de um projeto no âmbito no programa
de integração da Amazônia Legal para renovar e ampliar o atual Sistema
de Proteção da Amazônia (Sipam).
Ciencia e tecnologia: Foi
feito um acordo de cooperação cientifica, e assinado um protocolo
complementar sobre a pesquisa e produção conjunta do satélite de
recursos terrestres China-Brasil (Cbers) 04ª. Foi feito também um
memorando de entendimento sobre oferta de treinamento em tecnologia da
informação a bolsistas do programa Ciências sem Fronteiras.
Esportes: China e Brasil assinaram um memorando de entendimento para cooperação esportiva nas modalidades de tênis de mesa e badminton.
Planejamento: Foi
feito, segundo o Planalto, um “acordo entre os países para o
desenvolvimento do investimento e cooperação na área de capacidade
produtiva e o programa de colheita precoce dos investimentos e
cooperações na área de capacidade produtiva entre Brasil e China”. (G1)






