
Morreu na noite de sexta-feira (12), em Belo Horizonte, o compositor e
escritor Fernando Brant, o maior parceiro de Milton Nascimento. Brant
estava com 68 anos de idade e morreu em decorrência de complicações de
uma cirurgia de transplante de fígado. Ele era integrante de primeira
hora do grupo chamado Clube da Esquina, surgido em Belo Horizonte nos
anos 1960.
O grupo se reunia principalmente em torno de Milton
Nascimento, chamado de Bituca. Da parceria entre Brant e Milton surgiram
clássicos como "Travessia", "Canção da América" e "Nos Bailes da
Vida"."Fernando é uma pessoa que sempre gostou da vida", resumiu o irmão
de Fernando Brant, Moacir Brant, ao chegar ao velório do músico
mineiro, na manhã deste sábado (13). "Ele tava muito otimista [sobre o
tratamento].
Ele pediu inclusive na terça-feira, depois da cirurgia,
'quero comer o meu bolinho de feijão', coisa bem mineira. Mas a vida
sabe o que faz. E ele nos deixou, mas deixou muita saudade, muita
música. Um exemplo de vida. O Fernando sempre foi um cara diferente, uma
postura muito correta, homem do bem. Homem que viveu a vida, amava esse
país como poucas pessoas, trabalhou a vida inteira pensando num país
melhor, mais justo", descreveu Moacir.
O músico Tavinho Moura esteve no
velório e relembrou, emocionado, ao G1, da grande amizade com Brant.
"Não tenho apenas uma lembrança dele, tenho milhões. Ele vai ficar
comigo até eu morrer. Eu não vou vê-lo mais, é só isso, pelo resto da
minha vida”, disse. Moura contou que, juntos, fizeram muitos shows, em
que cantavam composições próprias e de outros artistas como Dorival
Caymmi, Tom Jobim e Toninho Horta. “A gente perde um grande amigo porque
chegou a hora da partida. Fica a perda para os amigos e para a
família”, disse um dos companheiros de carreira mais importantes, o
músico Lô Borges. Lô lembrou que a música “Paisagem da Janela”, que
compôs junto com Brant, é a canção que não pode faltar em nenhum show.
“É m intelectual, um letrista, um jornalista. As coisas que ele fez vão
ser aproveitadas pelo resto da vida”, comentou.
O senador Aécio Neves
(PSDB) esteve no velório na manhã deste sábado para prestar sua
solidariedade à família. Ele disse que “Minas e o Brasil perderam um dos
maiores artistas. Fernando Brant exerceu a cidadania, porque ele não
era apenas um artista. Ele pensava no Brasil”, lembrando que o músico
lutou pela democracia, por um país mais justo e fraterno. O prefeito de
Belo Horizonte, Marcio Lacerda, falou rapidamente à imprensa na chegada
ao velório. “Fernando Brant foi e sempre será a nossa identidade em
Minas Gerais.
Havia poesia e música em suas letras. Ele era genial”,
disse o prefeito. Para Lacerda, Brant era, apesar de uma expressão
mundial, uma pessoa “simples, amena e autêntica”. O governador Fernando
Pimentel também esteve no velório. “A morte de Fernando Brant é uma
enorme perda para Minas Gerais e para o Brasil. Eu, particularmente,
tive um convívio muito próximo a ele. Deixou um legado muito importante
para a musica brasileira mineira e ara arte no geral”, disse.
O corpo do
músico e escritor mineiro vai ter enterrado na tarde deste sábado, no
Cemitério do Bonfim, na Região Noroeste de Belo Horizonte. A presidenta
Dilma Rousseff divulgou nota hoje (13) em que lamenta a morte do músico e
compositor. Para Dilma, o país perdeu um dos seus grandes talentos e um
dos mais extraordinários letristas. "Quero deixar meus sentimentos aos
familiares, amigos e fãs da música e da poesia de Fernando Brant,
lembrando um dos seus mais conhecidos versos: ‘Com a roupa encharcada e a
alma/ Repleta de chão/ Todo artista tem de ir aonde o povo está’.
Fernando cantou a nossa geração, o nosso povo e os nossos sonhos"
declarou na nota a presidenta. O corpo de Fernando Brant está sendo
velado no saguão do Palácio das Artes, tradicional espaço cultural, em
Belo Horizonte. O enterro será hoje à tarde, Cemitério do Bonfim, na
capital mineira.






