Um dia depois de ser denunciado pela Procuradoria Geral da República, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi ovacionado por sindicalistas da Força Sindical em um evento na sede da central sindical, em São Paulo.
Em seu discurso aos integrantes da entidade, o peemedebista afirmou
que, mesmo diante da possibilidade de se tornar réu no Supremo Tribunal
Federal (STF), ele não cogita renunciar ao comando da casa legislativa.
Eleito para a presidência da Câmara em fevereiro, Cunha tem mandato até 2017.
No momento em que ele chegou ao evento na capital paulista, por volta
das 10h20, cerca de 200 pessoas gritavam palavras de ordem, como "Cunha,
guerreiro do povo brasileiro".
"Ninguém pode ser previamente condenado. Estou absolutamente sereno.
Nada alterará o meu comportamento. Não adianta nenhuma especulação sobre
o que vou fazer ou deixar de fazer. Não vou abrir mão de nenhum
direito. Não há a menor possibilidade de eu não continuar no comando da
Câmara, abrindo mão daquilo que a maioria absoluta me elegeu em primeiro
turno. Renúncia é um ato unilateral. Isso não faz parte do meu
vocabulário, e não fará. Assim como covardia, declarou Cunha aos
integrantes da Força Sindical.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou nesta quinta-feira (20)
ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncias contra o presidente da
Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e contra o senador Fernando
Collor de Mello (PTB-AL) por suposto envolvimento no esquema de
corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato.
Nas denúncias, o procurador-geral pede a condenação dos dois sob a
acusação de terem cometidos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
De acordo com a Procuradoria, eles receberam propina de contratos
firmados entre a Petrobras e fornecedores da estatal.
Na denúncia contra Eduardo Cunha ,
a Procuradoria também pede que sejam devolvidos US$ 80 milhões – US$ 40
milhões como restituição de valores supostamente desviados e mais US$
40 milhões por reparação de danos. A PGR estima essa quantia em R$
277,36 milhões, pela cotação atual.
O presidente da Câmara se diz "inocente" e afirmou que foi "escolhido para ser investigado".
O evento, realizado no auditório da Força Sindical, foi organizado pelo
deputado Paulinho da Força (SD-SP), um dos principais aliados de Cunha
na Câmara dos Deputados. Cercado por seguranças, o peemedebista chegou
ao ato sindical na companhia de Paulinho.
Sindicalistas uniformizados e com bandeiras da Força aguardavam Cunha
do lado de fora do prédio. Do lado de dentro, outros integrantes da
central sindical estendiam faixas com mensagens de apoio ao presidente
da Câmara. Uma das mensagens, do Sindicato Nacional dos Aposentados,
pedia o apoio do peemedebista para aprovar um projeto que equipar e os
reajustes da categoria.
Por: Karla Oliveira/G1






