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Tocantins: Deputados estimam que corte do governo tem que ser profundo: cerca de R$ 50 milhões por mês

Deputados estaduais ouvidos pelo blog avaliam que, voltar o comprometimento da folha sobre as receitas correntes líquidas para o limite prudencial — isto é, dos atuais 51,47% para 49% — significará um corte muito profundo na carne governamental. Por alto, eles estimam que essa redução terá girar em torno de R$ 50 milhões mensais. Assim, além do corte ser extremamente dolorido, terá que ser imediato para que as contas de 2016 não fiquem comprometidas, ou ainda mais comprometidas. Como o blog adiantou nessa segunda, 12, o Executivo deve enviar à AL o projeto de reforma da estrutura administrativa junto com o Orçamento de 2016.

RECUOU, MAS ESTOUROU


Um secretário contou ao blog que, ao assumir em janeiro, o governador Marcelo Miranda (PMDB) realizou cortes de pessoal e de gastos, que reduziram o comprometimento da folha dos 50,9%, entregues pelo ex-governador Sandoval Cardoso (SD), para os 49% fixados pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Porém, segundo ele, com as negociações com as diversas categorias, que levaram o governo a fazer concessões de benefícios, a conta novamente estourou.

INDELICADEZA

Deputados negaram ao blog que a possibilidade de corte pessoal antes da provação do aumento das alíquotas de impostos, pudesse impedir a aprovação das matérias. No entendimento de palacianos, se o governo tivesse enxugado a estrutura antes de enviar as alterações à Assembleia — o que significaria demitir indicados pelos deputados —, jamais teria conseguido as aprovações necessárias ao ajuste do Estado. Porém, os parlamentares ouvidos garantiram que a maioria mais do que absoluta da base não tem qualquer cargo no governo. “Os que têm cargo são no máximo quatro deputados. Votamos, portanto, não por cargo, mas pelo bem do Tocantins. O secretário que disse isso foi indelicado”, reagiu, indignado, um parlamentar.

PMDB DA AL E PMDB DO GOVERNO

Apesar de ser o partido do governador e de ter três representantes na AL, o PMDB não conta com cargos no governo do Estado. Quer dizer, explica uma fonte do Legislativo, o PMDB da Assembleia, já “o PMDB do governo” está muito bem representado.

PT É MAIS GOVERNO

Ainda sobre esta questão, um deputado disparou: “O PT é muito mais governo do que o PMDB”. Segundo ele, os petistas — com duas secretarias e muitos cargos — não teriam do que reclamar.

NINGUÉM SUPERA DULCE

Para parlamentares de diversos partidos — todos palacianos —, os secretários de Estado têm mais indicações no governo do que eles. Agora, garantem, ninguém bate a primeira-dama e deputada federal Dulce Miranda (PMDB). Segundo eles, foi a que mais indicou gente na máquina do Estado.

RAZÕES PARA O AUXÍLIO-MORADIA

Sobre o enxugamento da AL, deputados garantem que não há nada definido sobre o malfadado auxílio-moradia, se fica ou se cai. Porém, algumas ponderações favoráveis à regalia são apontadas. Eles dizem que o pagamento do benefício não influencia no esforço da Assembleia para voltar ao limite prudencial. Isso porque o auxílio-moradia é custeio e, assim, não incide sobre a folha. Portanto, está fora do cálculo do limite prudencial. Além disso, continuam, os deputados não recebem mais os 14º e 15º salários e nem pelas sessões extraordinárias.

SEM COMANDO

O deputado federal Carlos Gaguim (PMDB) rebateu o secretário estadual da Comunicação, Rogério Silva, que o acusou, em entrevista ao blog, na sexta-feira, 9, de estar por trás das críticas que Dulce e a deputada federal Josi Nunes (PMDB) receberam por assinarem documento contra o PMDB e a presidente Dilma Roussef (PT) e por se ausentarem na sessão para apreciação de vetos de matérias que elevariam os gastos do governo federal. Gaguim garantiu que não está por trás das críticas. “Eu não as obriguei a assinar o manifesto e nem a faltar a uma sessão tão importante para o País. Se o governador não tem comando, a culpa não é minha. Mas o Marcelo diz uma coisa e sua esposa faz outra aqui na Câmara”, disparou.

INTERESSES DO ESTADO

Carlos Gaguim justificou que passou a apoiar a presidente Dilma Rousseff a pedido da ministra da Agricultura, Kátia Abreu. “Num processo normal da política, já que meu objetivo é o bem do Estado. A ministra Kátia Abreu tem contribuído para o Tocantins e, como não trabalho olhando o passado, resolvi atender, porque os interesses do Estado são mais importantes”, garantiu o parlamentar. Rogério criticou o fato de Gaguim ter feito campanha para o candidato do PSDB em 2016, Aécio Neves, e agora estar aliado à presidente Dilma.

“LEPROSOS”

Para Gaguim, se for seguir o raciocínio do secretário Rogério Silva, o governador Marcelo Miranda não poderia aceitar o apoio dos parlamentares que ficaram contra ele nas eleições do ano passado. “Deveria recusar o apoio do Lázaro [Botelho, PP], do [César] Halum [PRB] e da maioria dos deputados estaduais, porque, para o secretário do Marcelo, eles são 'leprosos' porque não apoiaram o governador no ano passado”, ironizou.

SEM DESCANSO

O ex-prefeito de Palmas Raul Filho (PR) trabalha longe dos holofotes da mídia, mas trabalha duro. Levanta muito cedo e dorme muito tarde. Passa o dia saindo de uma reunião e entrando em outra. O objetivo é se tonar o nome da oposição para as eleições municipais do ano que vem.

FRENTE AMPLA POR PALMAS

O presidente metropolitano do DEM, Lutero Fonseca, diz que o partido neste momento não pensa em candidaturas, mas em discutir Palmas. “Que Palmas queremos? Quais as nossas dificuldades? A discussão agora é conceitual”, definiu. Após esta fase, Lutero conta que os democratas defendem a formação de uma frente ampla em favor da Capital.

FORA DA ELEIÇÃO

Por falar em DEM, o ex-vereador Fernando Rezende não será candidato nas eleições do ano que vem.

OS FACTÍVEIS

A despeito da vontade muitos, nos bastidores da política de Araguaína, os principais analistas consideraram como factíveis apenas três pré-candidaturas para as eleições de 2016: a natural, que é a do prefeito Ronaldo Dimas (PR); e a dos dois deputados estaduais Valderez Castelo Branco (PP) e Jorge Frederico (SD). Os dois últimos disputam o apoio do Palácio Araguaia, mas ambos apoiaram a reeleição de Sandoval Cardoso contra Marcelo. Por isso, tem gente que acredita que pode haver surpresa e o governo lançar o secretário estadual de Articulação Política, Paulo Sidnei (PPS), que diz para todo canto que não vai para a disputa em 2016.

TIO E SOBRINHO

De toda forma, considerando que Paulo Sidnei realmente esteja fora, há quem diga que Jorge Frederico levaria uma vantagem nessa disputa com Valderez pelo apoio do Palácio. Tudo porque ele é sobrinho do vereador José Ferreira Barros Filho, o Ferreirinha (PMDB), marcelista de carteirinha e juramentado.

OLHOS EM 2018

Ainda sobre Araguaína, o deputado federal César Halum (PRB) é um dos principais aliados do prefeito Ronaldo Dimas na busca pela reeleição. Contudo, esse apoio também precisa considerar as eleições estaduais de 2018, quando Halum quer uma das duas vagas de senador. 

Cléber Toledo
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