
O deputado Eduardo Cunha está no comando. Manobrou com habilidade seu trunfo nesta terça-feira: o poder que tem de dar ou não o sinal verde a um pedido de impeachment da presidente Dilma. Com ele, foi capaz de neutralizar o movimento "Fora Cunha" e de conquistar o apoio indireto de governo e oposição para permanecer exatamente onde está: na presidência da Câmara e no mandato de deputado federal.
Oposicionistas levaram dias para construir um discurso "legalista" e afiná-lo com Cunha: defendem o afastamento do deputado - após claras evidências de ter enviado para contas na Suíça dinheiro do esquema de corrupção na Petrobrás - mas isso só pode se dar depois do devido processo no Conselho de Ética. O colegiado não levará menos de noventa dias na tarefa - que terá um desfecho em 2016, na melhor das hipóteses.
Para costurar esta saída honrosa e obter o "de acordo" de Cunha para anunciá-la publicamente, líderes do PSDB, DEM e PPS chegaram a adiar para está quarta o protocolo de mais um pedido de impeachment contra Dilma. "Ficaremos do lado dele, até que ele fique do nosso lado" - confidenciou um deles.
Já os governistas nem sequer disfarçam a estratégia do não-confronto. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT/CE), repete sem nenhuma cerimônia: "Este não é um problema de governo. O nosso problema é votar".
Assim, Eduardo Cunha controla dois lados opostos na disputado política, alimentando em ambos a esperança de serem atendidos. Ao mesmo tempo, ganha tempo para elaborar sua defesa e esfriar o escândalo que o ameaça.
O presidente da Câmara moveu com habilidade e em seu favor as peças do tabuleiro deste jogo e manteve os demais jogadores sob seu comando. O próximo lance nesta partida cabe ao ministério público - até aqui, o único agente fora do controle.
Christina Lemos, R7






