
Depois
de patologias como zika vírus, dengue e gripe H1N1 despertarem o alerta
da comunidade médica, é a vez da caxumba preocupar. Só na cidade de São
Paulo, o número de casos aumentou 568% no primeiro quadrimestre do ano,
em comparação ao mesmo período de 2015. Na metrópole paulista, segundo a
Secretaria Municipal de Saúde, já foram registrados 275 casos da doença
infectocontagiosa entre 1º de janeiro e 30 de abril deste ano.
O
número é equivalente ao total de registros em todo o ano passado. Mas
não é só no Sudeste que a situação preocupa. Em Porto Alegre, já haviam
sido registrados 101 casos até o dia 17 de maio. Já em Curitiba, foram
342 até o fim de abril, enquanto em Goiânia teve 62 notificações até 16
de maio. As informações foram divulgadas pelas secretarias de saúde de
cada um dos municípios. Se antes a caxumba era uma doença relacionada à
primeira infância, hoje a situação é bem diferente. Entre os casos
notificados no Brasil, muitos dos afetados são adolescentes em escolas e
adultos. Por isso, ter atenção aos sintomas, à prevenção e ao
tratamento da doença é importante em qualquer idade.
O
médico Guilherme Bruno de Lima Júnior explica que a caxumba é uma
infecção causada por um vírus. “Ela ocasiona inchaço das glândulas
produtoras de saliva, as parótidas, que se localizam na frente das
orelhas, logo acima da mandíbula”, informa. Quando infectadas, algumas
pessoas sequer desenvolvem sintomas, embora seja possível detectar a
presença de sinais como febre, mal-estar, cansaço, dor no corpo, dor de
cabeça e diminuição do apetite. Em geral, explica o especialista, após
dois dias do início do quadro sintomático é que começa a ocorrer o
característico inchaço das glândulas parótidas.
Diante
de alguns surtos isolados no país, é importante ter atenção ao modo
como a doença é transmitida. Segundo Júnior, ela ocorre por meio de
gotículas da respiração, contato direto ou com as roupas da pessoa
contaminada. “Após a infecção, os sintomas iniciam em um período de 14 a
18 dias”, acrescenta. A caxumba tende a melhorar espontaneamente em
cerca de duas semanas, mas também pode provocar outras complicações
sérias, como inflamação dos testículos masculinos ou dos ovários
femininos, podendo acarretar até em infertilidade. Há ainda outros casos
raros em que pode gerar um quadro infeccioso no cérebro e causar
surdez.
Mas
mesmo os sintomas leves, como febre e mal-estar, causam incômodo e
prejudicam sua produtividade, uma vez que exigem repouso na recuperação.
Por isso, prevenir é a melhor escolha Para evitar a contração da
caxumba, alguns cuidados são essenciais. Restringir o contato
respiratório com pessoas contaminadas, lavar as mãos ou usar álcool gel
diariamente são medidas simples, mas que fazem a diferença. Há também a
vacina conhecida como tríplice viral, administrada em duas doses e que
protege contra sarampo, rubéola e caxumba.
Ela
está disponível gratuitamente para pessoas de até 49 anos de idade pelo
Sistema Único de Saúde (SUS). Em relação ao tratamento, não existe um
remédio específico, embora algumas medidas possam ajudar a atenuar os
sintomas. “Calor local sobre a área inchada por 10 a 15 minutos várias
vezes ao dia ajuda a diminuir a dor e a febre, que também podem ser
aliviadas com analgésicos comuns”, salienta. Júnior sustenta que,
durante o tratamento, a pessoa deve permanecer em repouso absoluto.
O
ideal é que mesmo o contato com o médico seja feito a partir de uma
vista na sua casa, para evitar que a doença se espalhe. Conseguiu
esclarecer suas dúvidas sobre a caxumba? Deixe um comentário com a sua
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