
O
Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP) concluiu, na semana
passada, novos testes com a fosfoetanolamina, composto que ficou
conhecido como "pílula do câncer". Os pesquisadores avaliaram, em
células de câncer de pâncreas, pulmão e melanoma, a atividade citotóxica
e antiproliferativa da substância, ou seja, sua capacidade de destruir
células tumorais e inibir seu crescimento.
Para
realizar os testes, os pesquisadores utilizaram a fosfoetanolamina
sitentizada pelo pelo Instituto de Química da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp). A conclusão foi que a fosfoetanolamina não teve
eficácia contra as células de câncer de pâncreas ou melanoma. No caso do
câncer de pulmão, a substância foi capaz de reduzir a viabilidade
celular em 10,8% e a proliferação em 36,1%.
No
entanto, os pesquisadores observaram que a mudança de pH resultante do
acréscimo da substância por si só já teria tido esse efeito contra as
células de câncer. Para os pesquisadores, "esse efeito parece estar
relacionado com a redução do pH do meio de cultura" e não com a
fosfoetanolamina em si. O estudo faz parte de uma iniciativa federal
para avaliar a possível eficácia do composto contra o câncer, coordenada
pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Testes
anteriores resultantes dessa iniciativa já apontavam para o baixo
potencial da substância. A fosfoetanolamina passou a ser sintetizada e
distribuída pelo Instituto de São Carlos da Universidade de São Paulo
(IQSC-USP) para pacientes com câncer sem que a substância tivesse
passado pelos testes clínicos necessários para determinar a segurança e
eficácia do tratamento.
O
pesquisador aposentado Gilberto Orivaldo Chierice, que desenvolveu um
método de síntese da fosfoetanolamina quando era professor do IQSC-USP,
tinha obtido apenas resultados preliminares em modelos experimentais
sobre a possível eficácia da substância contra o câncer.






